ELEIÇÕES 2026
Renan Santos teve a candidatura suspensa? Entenda punição aplicada pelo TSE
Decisão restringe propaganda online, recursos eleitorais e participação em debates
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou restrições à campanha de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República. A decisão, tomada no domingo, 30, e divulgada nesta segunda-feira, 31, suspende parte da propaganda eleitoral digital da chapa e impede, por enquanto, o recebimento de recursos do Fundo Eleitoral e a participação em debates.
O que foi determinado pelo TSE?
Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral nos perfis de redes sociais que não foram declarados no pedido de registro da candidatura. Renan havia informado inicialmente à Justiça Eleitoral apenas um perfil no X e um site.
Posteriormente, em documentos apresentados ao TSE em 19 de agosto, foram indicadas outras 18 contas. Segundo a Corte, 16 delas foram informadas fora do prazo, que terminou em 15 de agosto.
Com a decisão, Renan não pode criar novos perfis para fazer propaganda eleitoral, utilizar contas de terceiros para divulgar conteúdo de campanha ou publicar nos perfis que não foram apresentados dentro do prazo.
O site e o perfil do X que foram informados no momento do registro da candidatura podem continuar sendo utilizados pela campanha.
Por que a campanha foi restringida?
Toffoli apontou uma possível “omissão estratégica” por parte da chapa de Renan Santos e do candidato a vice-presidente, Aroldo Medina. Para o ministro, a demora em informar todas as contas utilizadas na campanha dificultaria o controle da propaganda eleitoral no ambiente digital.
A legislação eleitoral determina que os candidatos informem, no momento do registro da candidatura, as contas que serão utilizadas para divulgação de propaganda eleitoral.
Segundo o relator, as contas não declaradas poderiam se beneficiar do funcionamento dos algoritmos das plataformas e ficar fora do controle da Justiça Eleitoral e da sociedade. O ministro também destacou o alcance e a velocidade de propagação de conteúdos nas redes sociais durante o período eleitoral.
Além das restrições à propaganda digital, Toffoli determinou a suspensão dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha à chapa. Também ficou proibida a realização de gastos com recursos que eventualmente já tenham sido repassados.
A decisão ainda impede a participação de Renan Santos e Aroldo Medina em debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.
Quais são as multas previstas?
O descumprimento da determinação sobre propaganda eleitoral digital pode resultar em multa de R$ 50 mil por publicação realizada depois do recebimento da decisão, inclusive se o conteúdo for divulgado em novos perfis ou contas de terceiros.
A participação em debates também fica sujeita a multa de R$ 50 mil por ato.
O ministro determinou ainda que as plataformas preservem conteúdos publicados nos perfis considerados irregulares desde 7 de agosto e adotem medidas para suspender essas contas e retirá-las dos sistemas de recomendação.
As empresas também deverão fornecer informações sobre postagens, impulsionamentos, recomendações e anúncios realizados nos perfis, incluindo dados de alcance e valores. O descumprimento dessas determinações pode gerar outras multas.
Renan Santos pode continuar fazendo campanha?
Sim. A decisão não suspende a candidatura de Renan Santos à Presidência da República. O candidato continua autorizado a realizar campanha, desde que respeite as restrições estabelecidas pelo TSE.
A campanha pode manter as atividades no site e no perfil do X que foram informados no pedido de registro. Já as demais contas apontadas posteriormente estão impedidas de veicular propaganda eleitoral.
O julgamento do registro da candidatura de Renan Santos havia sido adiado por Toffoli durante o fim de semana. O ministro é o relator do pedido de registro da chapa do Missão.
Até a publicação da decisão, Renan Santos não havia se manifestado publicamente sobre as medidas. O candidato convocou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira, 31, em São Paulo.



