ELEIÇÕES 2026

Flávio pagou R$ 600 mil a empresa acusada de oferecer manipulação, diz site

Ex-consultor denuncia sistema com recursos de influência eleitoral
Agência Senado
Flávio Bolsonaro teve despesas de campanha com a empresa Elytron, segundo registros da Justiça Eleitoral citados pelo The Intercept Brasil
Flávio Bolsonaro teve despesas de campanha com a empresa Elytron, segundo registros da Justiça Eleitoral citados pelo The Intercept Brasil

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron, que teria apresentado a potenciais clientes um sistema de inteligência artificial com recursos para influenciar a opinião pública e manipular debates políticos. A denúncia foi publicada pelo The Intercept Brasil, em reportagem divulgada nesta sexta-feira, 16.

Segundo o veículo, documentos entregues pelo norte-americano Vincent Edward Reed, ex-consultor da empresa, descrevem ferramentas para segmentar eleitores, disseminar informações e rumores, criar perfis artificiais e produzir conteúdos como vídeos e deepfakes. Reed afirmou que rompeu com a Elytron por considerar as práticas preocupantes e disse ter denunciado o caso ao FBI e a um comitê da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

De acordo com a reportagem, os registros da Justiça Eleitoral apontam pagamentos da campanha de Flávio à Elytron descritos como consultoria em tecnologia da informação. O Partido Liberal também declarou uma despesa de R$ 131,9 mil com a empresa. Não há, porém, evidências de que o sistema de manipulação denunciado tenha sido utilizado pela campanha do senador ou pelo partido nas eleições de 2026.


A campanha de Flávio Bolsonaro negou contratar serviços que violem a legislação eleitoral e afirmou que a contratação teve como objetivo proteger sistemas de comunicação contra ataques cibernéticos. A Elytron também rejeitou as acusações, declarou que trabalha exclusivamente com segurança cibernética e da informação e negou oferecer ou executar operações de manipulação política, uso de deepfakes ou influência clandestina.

A reportagem também aponta conexões internacionais entre integrantes ligados à empresa, executivos de tecnologia e figuras políticas. A Elytron afirmou que investigará eventuais responsabilidades pelo uso indevido de seu nome e ressaltou que os serviços prestados à campanha e ao PL tinham finalidade técnica e preventiva.


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