se precipitou!
Erros de Flávio Bolsonaro marcam reta final da campanha presidencial
Candidato antecipou articulações e aliados não pouparam críticas ao Nordeste
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo, 25, encerrou uma campanha marcada por episódios controversos no segundo turno. Embora tenha terminado a primeira etapa da eleição à frente do petista, o senador não conseguiu manter a liderança e acabou superado nas urnas. Entre os acontecimentos que marcaram a reta final estiveram declarações de integrantes de sua equipe econômica, articulações para a formação de um eventual governo e ataques ao Nordeste feitos por apoiadores do bolsonarismo.
Na economia, as principais controvérsias envolveram propostas de cortes de gastos públicos e possíveis mudanças nas regras de financiamento da saúde, da educação e de reajuste das aposentadorias. Daniella Marques, uma das principais representantes da área econômica da campanha, chegou a citar o presidente argentino Javier Milei como exemplo a ser seguido pelo Brasil. Flávio negou que determinadas medidas estivessem sendo consideradas, mas declarações de integrantes de sua equipe alimentaram dúvidas sobre o programa econômico.
Outro episódio ocorreu quando Flávio começou a antecipar convites para sua eventual posse presidencial, antes mesmo da realização do segundo turno. Em 7 de outubro, o senador convidou o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para uma cerimônia que acreditava realizar em janeiro de 2027. Na ocasião, ainda informou a data errada da posse, mencionando 6 de janeiro, quando o calendário constitucional estabelece o dia 5.
A campanha também enfrentou repercussões negativas envolvendo declarações de apoiadores sobre o Nordeste, região decisiva para a votação de Lula. O comentarista bolsonarista Rodrigo Constantino chamou a Bahia de “câncer do Brasil” e fez comentários depreciativos sobre Salvador após os resultados do primeiro turno. As manifestações motivaram investigações do Ministério Público e da Polícia Civil da Bahia por possível conteúdo discriminatório. As declarações foram de Constantino, não do candidato.
Os episódios contrastaram com a tentativa de Flávio de ampliar sua presença no Nordeste. Durante o segundo turno, o senador chegou a afirmar que a região era a “solução do Brasil” e buscou aproximar-se de eleitores que tradicionalmente apoiam o PT. A movimentação antecipada em torno de ministérios também chamou atenção. Partidos do centrão passaram a discutir indicações para um possível governo, enquanto aliados de Flávio avaliavam nomes para cargos estratégicos. As articulações ocorreram antes de qualquer definição sobre o resultado das urnas.



