ELEIÇÕES 2026

JHC terá de negociar com Lula... de novo após neutralidade nas eleições

Relação entre os dois já passou por diferentes momentos desde 2022
RICARDO STUCKERT/PR
JHC terá de negociar com Lula... de novo após neutralidade nas eleições
JHC terá de negociar com Lula... de novo após neutralidade nas eleições

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 25, coloca o governador eleito de Alagoas, JHC (PSDB), novamente diante de uma negociação com o presidente. Após evitar declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro (PL), o tucano precisará retomar o diálogo com o Palácio do Planalto para garantir investimentos e parcerias federais durante sua gestão.

A relação entre os dois já passou por diferentes momentos. Em 2022, quando era prefeito de Maceió, JHC declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Naquele ano, chegou a participar de uma reunião com o então presidente no Palácio da Alvorada, em Brasília, ao lado de sua mãe, Eudócia Caldas.

A vitória de Lula, porém, não impediu a aproximação institucional. Durante os anos seguintes, JHC manteve interlocução com o governo federal e participou de agendas envolvendo investimentos em Maceió. A relação ganhou maior visibilidade em 2025, durante as articulações pela indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A procuradora foi escolhida por Lula em julho daquele ano e nomeada após aprovação do Senado. Reportagens apontaram a participação de JHC nas articulações políticas em Brasília. Também surgiram especulações sobre possíveis acordos eleitorais envolvendo o prefeito e o grupo dos Calheiros, mas nenhum entendimento dessa natureza foi formalmente confirmado.

Em janeiro de 2026, JHC e Lula dividiram o palanque durante a entrega de 1.337 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, em Maceió. Na ocasião, o então prefeito elogiou o presidente e defendeu a cooperação entre governos de diferentes partidos.

“A política tem que ter menos apontar dedos e mais estender as mãos. E é isso que eu estou fazendo com o senhor hoje, presidente”, declarou JHC durante o evento. Ele também agradeceu os investimentos federais e defendeu um pacto institucional em benefício da população.

A relação voltou ao centro das articulações em agosto, quando a CNN Brasil e outros veículos noticiaram uma reunião reservada entre Lula e JHC, em Brasília. O encontro teria tratado de uma possível candidatura do tucano ao Senado, evitando o confronto com Renan Filho (MDB) pelo governo estadual. JHC classificou as informações como especulações e não confirmou nem negou a conversa.

O entendimento eleitoral não se concretizou. JHC disputou o Governo de Alagoas e venceu Renan Filho no primeiro turno, com 52,20% dos votos válidos. Lula participou da campanha do candidato do MDB, seu ex-ministro dos Transportes, e pediu votos para ele durante passagem por Maceió.

Apesar de integrar uma coligação com o PL, JHC também não declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O senador chegou a anunciar apoio à candidatura do tucano, mas não recebeu uma manifestação pública de reciprocidade.

A neutralidade contrastou com o posicionamento de aliados. A vice-governadora eleita Célia Rocha (PSDB) e o senador eleito Arthur Lira (PP) apoiaram Flávio. Já Ronaldo Lessa (PDT), atual vice-governador e aliado de JHC, participou da campanha de Lula. O silêncio do tucano chegou a provocar cobranças de integrantes do próprio grupo político.


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