A cantora alagoana Huná será uma das grandes atrações da terceira edição do Maceió Pop Festival, que acontece na próxima sexta-feira (11), no bairro de Jaraguá, em Maceió. Ao lado de Ebony, a artista maceioense em ascensão reforça a importância do protagonismo feminino negro no rap e em espaços musicais tradicionalmente ocupados por homens.
Aos 24 anos, Alice Barboza, mais conhecida como Huná, se destaca no meio artístico como cantora, compositora e atriz, misturando pop rap com letras que amplificam a voz das mulheres pretas e da comunidade periférica. A artista já participou de diversos festivais e eventos culturais, como o Afestival e o Festival Carambola, dividindo o palco com ícones como Margareth Menezes. No teatro e no cinema, Huná conquistou o prêmio de Melhor Atriz no 7º Curta Caicó e estreou no longa-metragem Não Estamos Sonhando.
A artista contou que iniciou a carreira musical há quase seis anos, quando começou a escrever suas primeiras canções.
"Acho que foi um momento onde ficou todo mundo muito vulnerável. Eu senti uma necessidade bem grande mesmo de demonstrar as minhas artes, os nossos trabalhos, então eu acredito que Huná veio muito motivada por isso. No período da pandemia eu tinha tempo suficiente, tempo livre para gravar, para produzir, mesmo sem poder sair de casa", relatou a cantora.
O interesse pela música, no entanto, vem desde a infância, quando já tinha o hábito de compor e cantar. Filha de pais evangélicos, Huná buscava referências dentro da igreja para se motivar no meio artístico.
Mesmo deixando o evangelho aos 15 anos, continuou cultivando a relação com a música, embora, até aquele momento, nunca tivesse imaginado que a atividade poderia se tornar uma profissão.
Com o tempo, a rapper decidiu investir nas composições e acumulou material até lançar, em 2021, o primeiro EP, Huná. Com seis canções, entre elas "Alecrim Dourado", "Remexo" e "Gang", o projeto se destacou por letras que retratam o empoderamento feminino negro, além das relações e experiências pessoais da cantora.
Apesar de conciliar o trabalho artístico com outra atividade profissional — ela atua como gerente de projetos em uma agência de publicidade —, Huná não deixa a música de lado. Por meio da arte, ela também busca representar a vivência de uma mulher negra e contribuir para a abertura de novos espaços.
"Eu acho que a vida é cíclica e tudo que a gente costuma falar e fazer, as nossas ações, elas acabam sendo também para poder acompanhar esse fluxo. E aí eu acho que a gente está vivendo uma fase muito importante que outras mulheres precisaram cavar muito, capinar muito para que a gente tivesse aqui hoje. Então, acho que a fase que nós estamos vivendo é de protagonismo feminino, de mostrar os espaços que as mulheres podem ocupar", refletiu.
Motivações
A motivação para seguir carreira na música surgiu a partir de uma movimentação interna da cantora, em um processo criativo marcado pelas composições e pelas reflexões sobre a coragem de investir na própria arte, cantar e apresentar suas canções ao mundo.
Entre suas referências estão MC Luana, Anitta e Erykah Badu. A personalidade artística de Huná vem sendo moldada pelo maximalismo e também pelo trabalho desenvolvido ao lado do irmão, responsável pela produção de parte de seus projetos.
"Existem várias inspirações dentro desse universo, eu costumo sempre falar sobre a minha maior inspiração dentro do rap feminino é a MC Luana. Acho que a gente tem um viagem muito parecida de experiência e principalmente de estilo de vida mesmo. A Luana também é uma menina preta, também é uma menina periférica, enfim, que compõe suas músicas, então eu me vejo muito nela. Erykah e Anitta também acho que se parecem muito com o meu trabalho e inspiram muito o trabalho que eu faço", afirmou.
'Preta Hot' no Maceió Pop Festival
Huná também contou que ficou muito feliz com o convite para fazer parte desta edição do Maceió Pop Festival. Para ela, o evento sustenta uma narrativa pop, LGBTQIA+ e plural, repleta de inspirações, como Ebony, outra artista cujo trabalho musical dialoga com o da rapper alagoana.
"Fiquei muito feliz mesmo. E a ideia é levar um show que represente bem esse espaço, que comunique bem com a galera. Estamos bem empolgados", vibrou.
Para o show, Huná preparou uma performance ao vivo com uma música de sua autoria, intitulada "Preta Hot". A canção, que segue o estilo house, será a base para uma intervenção artística com outras duas mulheres. A apresentação terá duração de aproximadamente 45 minutos.
"O público não perde por esperar. Tenho certeza que eles vão gostar, principalmente para quem já foi. Terá um novo formato de show, mas principalmente para quem nunca viu."
Sobre o festival
O Maceió Pop Festival surgiu em 2024, como resultado da extensão de um movimento artístico e cultural criado a partir da parceria entre o músico e produtor Filipe Mariz, conhecido como Possa, e o DJ e produtor Gil Silva, que movimenta a noite maceioense há cerca de dez anos.
A ideia nasceu da necessidade de criar um evento maior, com estrutura para reunir diferentes vertentes do pop, do nacional ao internacional, além de diversas atrações e performances de artistas reconhecidos em Alagoas e fora do estado. A proposta é colocar tanto o mainstream quanto a cena independente no centro do protagonismo.
Além disso, o festival comemora o aniversário da festa Pop Que Pariu (PQP), que há quatro anos celebra, na pista de dança, a existência da comunidade, a cultura pop e a resistência da produção de eventos no bairro de Jaraguá, em Maceió.
SERVIÇO
Maceió Pop Festival — Ano 3 Data: 11 de setembro de 2026 Horário: a partir das 20h Ingressos: pelo Sympla ou por meio dos perfis @tagsproduções e @maceiopopfestival Mais informações: (82) 99982-9628 — Jamerson, assessoria de imprensa (82) 99176-3957 — VFIngressos @tagsproducoes — TAGs Produções @maceiopopfestival — Maceió Pop Festival
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