política

Vídeos com IA circulam em grupos do PT para rebater fake news sobre o Pix

Peças satíricas com inteligência artificial ironizam acusações de vigilância
Por Estadão Conteúdo 18/01/2026 - 15:57
A- A+
Agência Brasil
Pix se tornou meio de pagamento popular
Pix se tornou meio de pagamento popular

Grupos de WhatsApp mantidos por uma rede de comunicação ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT) passaram a difundir vídeos produzidos com inteligência artificial (IA) para desmentir informações falsas sobre o Pix e atacar lideranças da direita que têm disseminado conteúdos distorcidos sobre o sistema de pagamentos.

Uma das peças segue a tendência recente de transformar objetos inanimados em personagens animados. No vídeo, a logomarca do Pix ganha voz e, em tom irônico e exaltado, rebate boatos sobre suposta vigilância e taxação. Em outra produção, personagens descritos como “baratas da extrema direita” aparecem espalhando mentiras, enquanto usuários fictícios do Pix são retratados em situações cotidianas, perseguidos pelos insetos.

As peças afirmam que não há monitoramento nem cobrança sobre o Pix e encerram com a mensagem de que fake news seriam combatidas com o “inseticida da verdade”. O conteúdo é uma resposta direta a publicações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que voltou a afirmar que o governo estaria monitorando transações via Pix com base em uma instrução normativa editada em agosto de 2025.

Segundo checagem do Estadão Verifica, a norma citada não criou monitoramento em tempo real nem é exclusiva do Pix. A regra apenas estende a fintechs e carteiras digitais a mesma obrigação que bancos tradicionais já cumprem: informar à Receita Federal movimentações acima de R$ 5 mil, independentemente do meio utilizado. O envio é semestral, sem acesso a dados como destinatário ou finalidade, e não implica quebra de sigilo bancário.

Após a repercussão das falas de Nikolas Ferreira, a Receita Federal divulgou nota orientando a população sobre fake news relacionadas ao Pix e à tributação, afirmando que boatos desse tipo buscam enganar cidadãos. O vídeo com as “baratas” começou a circular na sexta-feira (16), três dias após a publicação do parlamentar.

No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou adversários por espalharem desinformação nas redes sociais. Embora a rede de comunicação que difunde os vídeos não tenha vínculo oficial com a comunicação do Palácio do Planalto, ela reúne integrantes do Instituto Lula, da Fundação Perseu Abramo e de sindicatos, e já teve interações registradas com a estrutura governamental.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato