Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

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Alfredo Gaspar, o fantasma que assusta JHC, Renan e Arthur Lira

18/01/2026 - 07:18
Atualização: 18/01/2026 - 07:24
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Dono de uma base sólida de votos de opinião, com mandato considerado proficiente e sem “rabo de palha” a comprometer sua trajetória pública, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça surge como o grande fator de desequilíbrio na disputa pelas vagas ao Senado em Alagoas. Em um cenário ainda nebuloso, marcado por incertezas, articulações de bastidores e pelo “segredo sepulcral” do prefeito JHC (seja por cálculo político, seja por cautela estratégica), a configuração atual aponta para uma corrida em que, além de Gaspar, figuram nomes de peso como o próprio JHC, o senador Renan Calheiros e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira.

O quadro, no entanto, não é homogêneo. Enquanto os três últimos carregam índices expressivos de rejeição, frutos de desgastes acumulados ao longo de anos de protagonismo nacional e de embates políticos intensos, Alfredo Gaspar navega em águas relativamente tranquilas. Sua imagem pública permanece associada à moralidade administrativa, ao combate ao crime e à defesa do interesse público, herança direta de sua atuação como procurador-geral de Justiça de Alagoas e como secretário de Segurança Pública do Estado, período em que ganhou notoriedade pelo enfrentamento a organizações criminosas e por uma postura considerada firme e técnica.

Esse capital simbólico o projeta como uma espécie de “semi-herói” institucional, figura que encarna, para uma parcela expressiva do eleitorado, a esperança de ética e rigor na vida pública ,um discurso que tende a ser amplamente explorado na campanha, sobretudo em um ambiente nacional marcado por escândalos, descrédito nas instituições e cansaço do eleitor com a velha política.

A atual projeção de Alfredo Gaspar foi ainda potencializada por seu papel como relator da CPMI do INSS, função de grande visibilidade nacional e que o colocou no centro de um dos debates mais sensíveis do país: a proteção dos aposentados e o combate a fraudes bilionárias contra o sistema previdenciário. O protagonismo na comissão, com postura técnica e discurso duro contra irregularidades, tem ampliado sua exposição e reforçado a narrativa de defensor do patrimônio público e dos mais vulneráveis. Nos meios políticos, já se comenta que, mantido o atual desempenho, ele pode alcançar uma votação histórica para o Senado em Alagoas, rompendo recordes e consolidando-se como o grande fenômeno eleitoral de 2026 no Estado.

Nos bastidores, corre a informação de que as três candidaturas hoje ameaçadas por seu crescimento, JHC, Renan Calheiros e Arthur Lira já teriam sinalizado, de forma discreta, apoio incondicional a uma eventual candidatura de Alfredo Gaspar à Prefeitura de Maceió em 2028, numa tentativa de tirá-lo do páreo agora e empurrar sua ambição para o futuro. A leitura predominante, contudo, é de que o deputado não pretende adiar o projeto. A avaliação de seus aliados é de que o momento político é raro: alta popularidade, baixa rejeição, discurso afinado com o sentimento anticorrupção e espaço aberto em uma disputa majoritária que tende a ser duríssima.

Caso os prognósticos se confirmem, Alfredo Gaspar entrará na corrida ao Senado para valer, com chances reais de vitória. Se, por algum fator imprevisível, a vaga não se concretizar, ele despontará automaticamente como o favorito absoluto para a sucessão municipal em Maceió, em 2028, reunindo apoio transversal de forças hoje rivais. Por ora, porém, a tendência é de que a aposta seja no presente, não no futuro.

O fato é que os bastidores das campanhas majoritárias em Alagoas estão em polvorosa. O tabuleiro se mexe, alianças são revistas, estratégias são redesenhadas. No centro desse rearranjo está Alfredo Gaspar, que, com a força dos votos de opinião e o discurso da moralidade, embaralha o jogo, ameaça caciques tradicionais e pode redefinir, de forma decisiva, o mapa político do Estado nas próximas eleições.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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