3º MANDATO DE LULA
Mesmo com guinada ao centro, petistas ainda serão mais influentes
Alexandre Padilha na articulação política e Fernando Haddad na chefia da Economia estão na restrita cota de confiança de Lula
Vinte anos após subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto, em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assume neste domingo, 1º, o terceiro mandato à frente do governo com desafios que vão além da economia. Do “Lulinha paz e amor” à “jararaca”, o presidente que chega agora ao poder diz ter passado por um “processo de ressurreição” e, munido de um discurso conciliador, chamou políticos de centro para compor o Ministério. Os nomes mais influentes da equipe, porém, ainda são do PT.
A composição da Esplanada com 37 ministérios – dois a menos que no segundo mandato de Dilma – abriga agora 9 partidos, incluindo o PT, que vai controlar onze pastas. O ministro que comandará a articulação política do Planalto com o Congresso é Alexandre Padilha, um dos homens da confiança de Lula. Deputado eleito pelo PT, ele ocupou o mesmo cargo na segunda gestão de Lula e também foi titular da Saúde sob Dilma, de 2011 a 2014.
Era Padilha quem estava com o presidente nas negociações de última hora para a entrada do União Brasil no governo. Houve racha no partido, que tem o senador eleito Sérgio Moro em suas fileiras, porque uma ala queria emplacar o deputado Elmar Nascimento (BA) no primeiro escalão. Não obteve sucesso. Elmar foi indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), expoente do Centrão.
“A frente ampla do PT vai do P até o T”, ironizou o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE). “Agora, tudo é lua de mel, mas depois de 1.º de fevereiro vem a realpolitik. E o comportamento do Congresso em relação ao governo Lula vai depender muito do reflexo das ruas”, insistiu Forte, numa referência à data das eleições que definirão as novas cúpulas da Câmara e do Senado.
Apesar da arranjo às vésperas da posse, os deputados que estão nos partidos com os quais Lula fechou acordo não somam os 308 votos necessários para aprovar, por exemplo, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara. A situação é um pouco mais confortável no Senado.
“Estamos dando o primeiro passo na montagem do governo, temos o maior número de mulheres da história do País em ministérios (11) e fizemos um esforço político regional nessa composição. Ainda há muita coisa por vir”, amenizou Padilha, na tentativa de apagar incêndios políticos com Arthur Lira, que disputa a reeleição ao comando da Câmara. Houve também queixas do Solidariedade e do PV, que ficaram sem cargos.



