POLÍTICA

Pesquisa mostra que 69% dos brasileiros rejeitam os extremos políticos

7 em cada 10 brasileiros estão fora dos extremos, de acordo com o levantamento
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 15/06/2026 - 20:18
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Reprodução
69% dos brasileiros não nutrem vínculos de "amor e ódio" na política
69% dos brasileiros não nutrem vínculos de "amor e ódio" na política

Uma pesquisa da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) aponta que cerca de sete em cada dez brasileiros não se identificam com os extremos políticos. Segundo o levantamento, 69% da população não mantém uma relação consolidada de apoio ou rejeição a um dos polos, enquanto 31% apresentam maior alinhamento ideológico.

O estudo mostra que a polarização aumentou nos últimos anos. Em 2006, 19% dos entrevistados se enquadravam em posições mais polarizadas. Atualmente, esse percentual chega a 31%.

De acordo com a pesquisa, o sentimento predominante entre os brasileiros que não se identificam com os extremos é a indiferença em relação à política, índice que cresceu sete pontos percentuais em comparação com o levantamento realizado em 2006. A rejeição simultânea aos dois polos também aumentou, com alta de três pontos percentuais. Já a adesão a um campo político sem hostilidade ao outro recuou 16 pontos.

Para o coordenador do estudo, o cientista político Jairo Pimentel, os dados indicam uma mudança no comportamento do eleitorado. Segundo ele, o voto tem sido cada vez mais influenciado pela rejeição ao adversário do que pela identificação com um projeto político.

"É um eleitorado cada vez mais orientado pela rejeição ao adversário e, em muitos casos, por uma relação fria ou desencantada com a política. Essa transformação da negatividade em um dos principais balizadores do voto gera desalento e pode enfraquecer a representatividade democrática", afirmou.

A pesquisa cruzou dados de dois levantamentos presenciais com representatividade nacional. O primeiro foi realizado em 2006, com 2.400 entrevistados, e o segundo contou com 1.500 participantes. Segundo a FESPSP, novas etapas do estudo serão realizadas nos próximos meses, incluindo coletas on-line, para aprofundar a análise sobre o comportamento eleitoral, as emoções políticas e o voto de rejeição no Brasil.


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