mercado de trabalho
Davi Alcolumbre adia definição sobre PEC 6x1 sob pressão do governo
Presidente do Senado tem reclamado da pressão nas redes sociais para acelerar a análise da PEC
Lideranças do Senado e do governo discutem a PEC que reduz a jornada e proíbe a escala 6x1, enquanto Davi Alcolumbre resiste a definir calendário e reclama de pressões públicas, em meio a alertas econômicos e disputas políticas que travam o avanço da proposta às vésperas da eleição.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), reuniu‑se com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo Lula, mas evitou assumir compromisso sobre o calendário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal para 40 horas e proíbe a escala 6x1. A proposta, aprovada pela Câmara em maio, depende agora de despacho de Alcolumbre para iniciar tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Nos bastidores, segundo um jornal de grande circulação no país, o senador tem reclamado da pressão nas redes sociais para acelerar a análise da PEC, atribuindo os ataques a uma articulação de governo e partidos de esquerda.
Embora tenha anunciado que discutiria o tema com líderes partidários nesta semana, sinalizou a aliados que recuou da ideia e cancelou reunião com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD), que trataria da escolha do relator.
Ainda assim, Alcolumbre afirmou a senadores que pretende resolver pendências nesta quarta‑feira (10). A avaliação entre aliados é que o ritmo dependerá da CCJ, que pode acelerar o debate para permitir votação em julho, antes do início oficial da campanha eleitoral.
O governo trabalha para aprovar a PEC o quanto antes, já que a redução da jornada para 42 horas e a garantia de dois dias de folga remunerada passam a valer 60 dias após a promulgação. O objetivo é que as medidas estejam em vigor antes da eleição, reforçando a agenda social do presidente Lula.
Na tribuna, Alcolumbre criticou a pressão para votar projetos de grande impacto às vésperas do pleito, citando propostas de criação de pisos salariais para categorias como médicos e enfermeiros. Disse ser acusado injustamente de travar pautas e alertou para o risco fiscal de aprovar medidas populares em ano eleitoral.
A fala ocorreu após encontro com Guimarães e ministros da área econômica, que alertaram para o impacto de novos pisos e da PEC que vincula gastos sociais a receitas da União.
O governo também pediu que o senador destravasse a PEC da Segurança Pública e colocasse em votação o marco legal dos minerais críticos, ambos parados no Senado, afirmou a mídia.
Ainda segundo a apuração, Guimarães classificou a reunião como positiva, embora Alcolumbre não tenha definido calendário nem relator para a PEC 6x1. Não há previsão de encontro com Lula para tentar recompor a relação, desgastada desde a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), atribuída à articulação do senador.
Enquanto o governo pressiona pela votação, a oposição tenta impedir o avanço da PEC 6x1 e defende uma proposta alternativa apresentada por Alcolumbre, que autoriza pagamento por hora trabalhada e tem apoio de entidades empresariais e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal opositor de Lula na disputa pela Presidência.
Por Sputinik Brasil



