colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

Inversão de valores que não vem de hoje


Quando este país elegeu Bolsonaro, um deputado de terceira classe, extremista de direita, golpista desde sempre, com ligações suspeitíssimas com o crime organizado do Rio de Janeiro e completamente despreparado para governar sequer a cozinha da casa dele, o que ocorreu foi mais um recado do eleitor brasileiro aos políticos profissionais deste país.

O surgimento e crescimento eleitoral de um Pablo Marçal da vida, um “outsider” da política, com vínculos com o crime organizado e a bandidagem digital e sabe-se lá mais o quê, é subproduto claríssimo dessa insatisfação do eleitor com a política e os políticos brasileiros em geral, com as raríssimas – e cada vez mais raras – exceções de sempre, cuja “performance” negativa tem mantido este país acorrentado a um discurso ufanista cada vez mais distante de “país do futuro”, quando na prática o que se vivencia por estas paragens é o pior de um subdesenvolvimento campeão mundial de desigualdades.

Não é estranho que os “Marçais” da vida que ganham a vida vendendo “prosperidade” nas redes sociais assumam posição de destaque social, uma vez que o Estado – gerido pela esquerda ou pela direita – corroído pela corrupção generalizada, quase nada tem a oferecer de perspectivas futuras para a gigante massa de cidadãos pobres e remediados dessa Nação.

Não é difícil fazer o raio-X do extremismo neste país e suas sonháticas utopias sociais, sejam elas de esquerda ou de direita, que sempre serviram de lastro para os discursos políticos, mas que são de pouca valia para encher a barriga de comida, para permitir ao cidadão uma vida decente. É isso que os tem levado para os “Marçais”.

O que os políticos e seus marqueteiros ainda não entenderam (mas os “Marçais”, sim) é que daqui para a frente “influencers”, subcelebridades, vendedores de prosperidade (do tipo enriqueça, não importa a maneira) em geral, rasos de pruridos éticos, sociais, religiosos ou outros quaisquer passarão a ter papel importante na política (e não como coadjuvantes de políticos profissionais).

Eles, os bandidos, as gangues de rua, a máfia das drogas e da prostituição já fazem parte desse universo cada vez mais fétido da política nacional. Na semana passada relembramos uma frase célebre de Ulysses Guimarães quando instado a opinar sobre a qualidade da então legislatura (da década de 1980), ao que ele, com toda a sua expertise política, respondeu: está achando ruim essa? Espere pra ver as próximas...

Acertou na mosca.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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