República saqueada
O Brasil vivencia uma das mais sérias crises éticas: um colapso institucional, mesmo. A corrupção deixou de ser exceção e se tornou regra, infiltrada nos três poderes e em todos os estados e municípios. O que deveria ser República virou um sistema de pilhagem organizado, onde o roubo é rotina e a impunidade é garantida.
O Judiciário, que deveria ser guardião da lei, tornou-se cúmplice. Juízes e tribunais naturalizam conflitos de interesse, distribuem privilégios a bilionários e empresas e transformam a Justiça em fábrica de impunidade. Quando o topo da pirâmide falha, a base se sente autorizada a roubar sem medo. O resultado é um tsunami corruptivo que envolve centenas de bilhões e transforma o saque em rotina institucional, corroendo cada espaço da vida pública.
O Legislativo é o epicentro da degradação. Não se trata apenas de emendas infladas: trata-se da institucionalização do roubo. Deputados e senadores tratam o orçamento como propriedade privada, negociam verbas como mercadoria e blindam corporações com mecanismos nebulosos. O orçamento secreto é a consagração da pilhagem: dinheiro público pulverizado em esquemas que ninguém fiscaliza, mas todos lucram.
O Executivo completa o triângulo da omissão. Governos sucessivos preferem blindar aliados sob o pretexto da “governabilidade” e enfraquecer órgãos de controle, permitindo que o saque se torne rotina e que o crime organizado prospere em terreno fértil, operando com braços financeiros sofisticados e ditando as regras do jogo.
Nos estados e municípios, a lógica é idêntica. Prefeituras e secretarias funcionam como caixas de desvio, contratos públicos viram fonte de propina serviços essenciais são abandonados. O bedel da repartição e o magistrado do tribunal respiram a mesma atmosfera de baixa responsabilização. O impacto social é brutal. Aposentados do INSS são saqueados com descontos ilegais, hospitais agonizam sem insumos, escolas funcionam em ruínas. A cidadania se dissolve em descrença, e a confiança coletiva é substituída por apatia.
As CPIs, que deveriam investigar, viraram palcos de teatro. A indignação é plástica, os discursos inflamados são espetáculo para distrair a opinião pública, enquanto, nos bastidores, o roubo continua. O Brasil agoniza sob um sistema que não busca cura, mas apenas administra seus sintomas terminais. A corrupção endêmica nos três poderes e em todos os níveis da federação é o câncer que corrói a democracia desde dentro. Resistências pontuais existem, mas são insuficientes diante de um país que naturalizou a corrupção como rotina.
Chegou a hora de o povo transformar as urnas em arma: basta de ladrões nos três poderes, só o voto pode expulsar os saqueadores da República.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



