O defeito de Wanderley
Tenho muito respeito pela biografia do deputado José Wanderley, sou seu amigo desde nossa adolescência, no velho Colégio Pio XII, em Palmeira dos Índios. Tem retidão absoluta no público e no privado, mas tinha que ter um defeito: essa sua simbiose com o senador Renan Calheiros, que arranha seu perfil. Aceitar uma candidatura ao Senado, sem futuro algum, só para satisfazer ao capricho do velho senador, vai colocá-lo em uma posição vexatória, como provavelmente o candidato menos votado na eleição. Será que vale a pena mais um sacrifício para alimentar ego inflado do seu mestre e senhor?
Correndo trecho
Percorrendo o interior de Alagoas, o senador Renan Filho demonstra, a cada nova agenda, a solidez de sua caminhada rumo ao retorno ao governo do Estado. Por onde passa, reúne lideranças, recebe manifestações de apoio popular e reforça a percepção de que sua candidatura chega ao processo eleitoral em posição extremamente competitiva.
O reconhecimento que recebe não surge por acaso. Durante sua gestão à frente do Governo de Alagoas, Renan Filho promoveu investimentos estruturantes que alcançaram tanto a capital quanto o interior, ampliando obras de infraestrutura, fortalecendo programas sociais e impulsionando o desenvolvimento econômico em diversas regiões do estado.
Alguém traiu
Há um segredo guardado a sete chaves nos bastidores da política alagoana e de Brasília. Fala-se, nos corredores do poder, de um acordo que teria reunido interesses de Renan Calheiros, Renan Filho, JHC e Arthur Lira.
O fato concreto é que, após intensas negociações, veio a nomeação da procuradora Marluce Caldas para o Superior Tribunal de Justiça. Nos bastidores, porém, a versão que circula é de que a indicação fazia parte de um pacto político mais amplo, envolvendo compromissos eleitorais e acomodações futuras.
O problema é que, segundo os mesmos interlocutores, o combinado não teria sido integralmente cumprido. Em algum momento da trajetória, alguém teria mudado de rota, revisto compromissos ou simplesmente decidido jogar outro jogo.
Fazendo campanha
Considerado por muitos um órgão sem atuação e frequentemente questionado pela sociedade quanto à efetividade de sua fiscalização em temas de grande relevância para o interesse público, o Tribunal de Contas resolveu, de repente, assumir protagonismo em plena pré-temporada eleitoral.
A mais nova iniciativa é a fiscalização dos gastos realizados no São João de Maceió. Fiscalizar é obrigação constitucional de qualquer órgão de controle. O problema não está na fiscalização em si, mas na oportunidade, na seletividade e na percepção que ela produz perante a opinião pública.
Não sejamos ingênuos
A democracia não é uma conquista definitiva. Ela é construída diariamente e exige vigilância permanente da sociedade, das instituições e dos cidadãos. Não sejamos ingênuos.
O Brasil viveu recentemente um dos momentos mais graves de sua história republicana, quando setores políticos tentaram desrespeitar o resultado das urnas, afrontar a Constituição e criar um ambiente favorável à ruptura institucional. O fracasso daquela tentativa não elimina os riscos de novos retrocessos.
Por isso, mais do que defender governos ou partidos, é preciso defender a democracia, o Estado de Direito e o respeito às regras do jogo. Nenhum projeto político, de esquerda ou de direita, pode estar acima da Constituição.
Festejando São João
A campanha eleitoral foi antecipada e a afronta à legislação eleitoral tornou-se ampla, geral e irrestrita. Candidatos majoritários e proporcionais, de praticamente todos os partidos, percorrem o estado em clima de campanha aberta. Há carreatas, caminhadas, comícios disfarçados, distribuição de material promocional, além do uso ostensivo de camisetas, bonés, bandeiras e outros itens que a legislação restringe em períodos específicos.
Mas eis que o TRE de Alagoas anuncia como prioridade a fiscalização das festas juninas na capital e no interior para verificar eventual propaganda eleitoral.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



