O traidor e os traídos
Na política, a fidelidade costuma durar até o momento em que os interesses mudam. Em Palmeira dos Índios um episódio recente ilustra bem essa realidade.
O ex-prefeito e radialista Júlio Silva construiu sua trajetória contando com importantes aliados políticos. Entre eles os deputados Paulão e Marx Beltrão, que direcionaram recursos para a administração municipal e estiveram ao seu lado em diferentes momentos, apoio frequentemente reconhecido em discursos e atos públicos.
Agora, porém, o cenário mudou. Ao lançar sua própria candidatura ao cargo de deputado federal, decisão atribuída por adversários à estratégia política do grupo governista estadual, Júlio rompeu com antigos aliados e abriu uma disputa direta com aqueles que, até pouco tempo, eram seus principais parceiros.
Sobra um
A corrida pelo Senado em Alagoas vai, aos poucos, deixando de ser uma incógnita para assumir o desenho de uma disputa de alta intensidade entre três nomes: Arthur Lira, Alfredo Gaspar e Renan Calheiros. As pesquisas divulgadas até agora repetem o mesmo roteiro: Lira e Gaspar aparecem em posição confortável, enquanto Renan trava uma batalha para não ficar de fora das duas vagas.
O dado político mais relevante não é apenas a liderança de Arthur Lira e Alfredo Gaspar, mas a possibilidade real de Renan Calheiros, um dos personagens mais influentes da política brasileira nas últimas décadas, encerrar sua longa trajetória no Senado. Se a fotografia das pesquisas se transformar no filme das urnas, Alagoas assistirá ao fim de um ciclo político que atravessou gerações e redefinirá o mapa de poder no estado.
Vão faltar propostas e sobrar agressões
A campanha eleitoral ainda nem começou oficialmente, mas os primeiros movimentos já indicam o tom da disputa. Em vez do debate sobre projetos, ideias e soluções para os problemas de Alagoas, a tendência é de uma escalada de ataques pessoais, acusações e tentativas de desconstrução dos adversários.
Infelizmente, a política parece caminhar para mais uma eleição em que o eleitor será bombardeado por agressões, enquanto propostas concretas para áreas como saúde, educação, segurança, geração de empregos e desenvolvimento ficarão em segundo plano. Quem apostar apenas na guerra de narrativas pode até conquistar manchetes, mas dificilmente conquistará a confiança de um eleitor cada vez mais cansado da velha política do confronto permanente.
Não colou
Bem que os adversários políticos tentaram, em Alagoas e em Brasília, colocar o ex-prefeito JHC no centro da polêmica envolvendo o Iprev e o Banco Master. A estratégia era clara: transferir ao ex-gestor o desgaste de um caso que ganhou repercussão nacional.
Até aqui, porém, a narrativa não prosperou. As decisões judiciais afastaram qualquer responsabilização de JHC pelos fatos investigados, frustrando a tentativa de vinculá-lo ao episódio.
Isso, no entanto, dificilmente encerrará o assunto. Em período eleitoral, fatos políticos costumam ser requentados sempre que interessam ao embate entre adversários.
Distribuindo benefícios
O deputado Arthur Lira é, de longe, um dos políticos alagoanos com maior presença na entrega de benefícios aos municípios do interior. Máquinas, equipamentos e recursos federais têm chegado a diferentes regiões, especialmente para fortalecer prefeituras, comunidades rurais e trabalhadores da agricultura familiar.
O próprio Lira costuma dizer que não sobe em trator apenas para posar para fotografia. Segundo ele, sua ação tem outro alcance: distribuir equipamentos, atender quem precisa e ajudar a construir o progresso das regiões e das pessoas.
Ângela Garrote
A deputada estadual Ângela Garrote caminha para a renovação de seu mandato com uma base eleitoral consolidada, especialmente nos municípios do Agreste alagoano, onde mantém forte presença política e uma atuação reconhecida por seus apoiadores.
Em Estrela de Alagoas e Palmeira dos Índios, a expectativa é de uma votação expressiva, reflexo de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. A parlamentar também se destaca pela atuação na área social, com ações voltadas principalmente às comunidades de maior vulnerabilidade, o que contribui para fortalecer sua presença política na região.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



