INSATISFAÇÃO
Clientes sofrem com apagões enquanto Equatorial lucra R$ 353 milhões em três meses
Empresa teve mais de 1.300 reclamações registradas no Procon em 2020 e soma notas baixas no Reclame Aqui
Moradores de Alagoas sentem no dia a dia o resultado negativo da privatização da Companhia Energética de Alagoas, a Ceal. Os relatos encontrados em sites de reclamações e nas redes sociais são de aumentos exorbitantes de tarifas, apagões e serviços prestados de péssima qualidade aos clientes.
Desde que Equatorial Energia comprou a Ceal em leilão, em dezembro de 2018, pela bagatela de R$ 50 mil, as contas dos 3,35 milhões de moradores do estado sofreram reajustes de energia de 26,3%, todos autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com dados da própria Aneel, só no ano passado o reajuste foi de 10% - índice maior do que a inflação de 4,52%. O acumulado do índice de 2019 a 2020 é de 8,83% - índices bem abaixo das correções nos valores das contas de energia.
Enquanto o lucro aumenta, clientes de Maceió residentes nos bairros da Ponta Verde, Gruta de Lourdes, Serraria, Cruz das Almas, Vergel, Trapiche e adjacências sofrem com várias quedas no fornecimento todas as semanas. Na internet ou até na roda de amigos é comum encontrar consumidores reclamando que por causa das quedas de energia constantes estão perdendo equipamentos elétricos. O Ministério Público Federal (MPF), inclusive, chegou a ser acionado pelo deputado federal Marx Beltrão em fevereiro do ano passado para investigar as denúncias, mas as mesmas ainda continuam sendo apuradas.relacionadas_esquerda
As reclamações contra a Equatorial Energia no Procon, em 2020, somaram 1.300. As principais queixas são sobre contas cobradas indevidamente e cortes de energia sem o devido prazo legal, em plena crise sanitária, com as pessoas em isolamento social, consumindo mais energia em suas casas, com renda reduzida e sem poder trabalhar.
A conta de energia é uma preocupação a mais para a idosa e pensionista Lúcia Ferreira, de 71 anos, que mora no Vergel do Lago e tem a responsabilidade de pagar todas as despesas da casa e de mais quatro pessoas com a pensão de dois salários mínimos.
“Não sei o que foi que aconteceu que desde que essa Equatorial começou aqui em Alagoas a minha conta só aumenta. Uma boa parte do meu dinheiro vai para pagar a conta de energia todo mês. Aqui em casa sou eu, minha filha, minha neta e meus dois bisnetos e como elas estão desempregadas, fica tudo nas minhas costas”, conta Lúcia.
Ainda segundo a pensionista, o valor pago não justifica a qualidade do serviço prestado. “Falta muita energia aqui no Vergel. Vez ou outra a gente fica sabendo que foi apagão em vários bairros, mas aqui no Vergel pelo menos uma vez por semana tem que faltar energia, é quase lei. Faltou energia no dia 10 à noite e só voltou no outro dia pela manhã e ainda tenho que pagar quase R$ 400 todos os meses senão eles cortam”.
Lucro
Enquanto a Equatorial, que controla distribuidoras de eletricidade e possui ativos de geração e transmissão, fechou o primeiro trimestre deste ano com lucro de R$ 353 milhões, as reclamações contra a empresa no Reclame Aqui, principal portal de reclamações do Brasil, só aumentam. Levantamento feito pelo EXTRA revelou que a empresa não possui avaliação positiva em nenhum de seus perfis e a média da nota não passa de 6.0. Ou seja, os clientes não recomendam seus serviços, mas não possuem outras alternativas.
Além de fechar o primeiro trimestre em alta, a Equatorial teve lucros de nada menos que 52,1% em 2020, saltando de R$ 1,484 bilhão para R$ 2,257 bilhões, em comparação a 2019. Apesar do lucro bilionário, a empresa só demite. Antes da privatização eram 1.200 trabalhadores. Hoje a Equatorial mantém apenas 700.
O EXTRA entrou em contato com a empresa e questionou os motivos para as constantes quedas de energia em diversos bairros da capital, mas até o fechamento desta edição, a assessoria de comunicação não enviou um posicionamento oficial e se limitou a dizer que “investimentos não faltam”.
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