EXPLORAÇÃO DE SAL-GEMA

Risco de colapso nas minas da Braskem foi alertado em 2021 pela Defesa Civil

Em entrevista ao Extra o coordenador do órgão falou surgimento de dolinas seria o pior efeito da mineração
Por Tamara Albuquerque 30/11/2023 - 18:00
Atualização: 30/11/2023 - 18:05

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Itawi Albuquerque / Secom MCZ
Coordenador geral da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre durante sobrevoo na região
Coordenador geral da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre durante sobrevoo na região

A possibilidade de colapso nas minas da Braskem que exploravam sal-gema em Maceió, especificamente na região do Mutange — posteriormente desativadas — foi citada em entrevista ao EXTRA pelo coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, ainda em 2021, durante vistoria na Lagoa Mundaú.

Na época, Nobre deixou claro que a tragédia com o surgimento de uma dolina (craterna gigantesca) poderia ocorrer por mais de 4 Km de solo submerso da lagoa, que poderia ceder causando o maior desastre ambiental já registrado no País.

Essa é a ameaça que atualmente a população da capital alagoana pode viver em curto espaço de tempo. Desde o último dia 6 de novembro os sismos nas regiões destruídas pelo afundamento do solo nos bairros estão se intensificando e vindo à superfície, segundo declarou Aberlado Lopes. Porém, a situação era mantida sob sigilo e só veio à tona porque moradores do Pinheiro, numa área não incluída no mapa de risco, denunciaram tremor de terra no último final de semana.

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A partir de então, o que se viu foi um crescente de informações que estavam "adormecidas" nos órgãos públicos envolvidos com o problema da mineração nos bairros, numa velocidade que a população continua assimilando aos poucos.

Abelardo Nobre, em julho de 2021, já afirmava considerar que o efeito da mineração com maior criticidade na área da Lagoa Mundaú seria o dolinamento, quando as cavidades, que são espaços vazios que surgiram após a extração do sal-gema, chegarem até a superfície da lagoa.

Em imagens aéreas já é possível ver rachaduras no solo do Mutange, onde a mina 18 apresenta mais de 50% de chances de colapsar. Cinco anos após o aparecimento dos primeiros sinais de afundamento do solo em cinco bairros, a cidade volta a receber órgãos como a Defesa civil Nacional para auxílio no monitoramento da situação. 

Em 2018, o colapso do solo deixou ao menos 50 mil desabrigados e resultou na desocupação forçada de 17 mil imóveis. A mineradora encerrou a extração do minério na região em 2019, um ano após o desastre ser anunciado.

Nesta quinta-feira,30, a Braskem se manifestou por nota e disse que a movimentação no solo foi registrada “em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro”, que foi isolada preventivamente. Confira o que já foi providenciado com a possibilidade de colapso no Mutange:

  • - Famílias do Mutange e Bom Parto estão sendo transferidas para abrigos improvisados em prédios púiblicos;
  • - Hospital Sanatório, no Pinheiro, trans feriu pacientes por medida de segurança, já que um colapso no Mutange pode afetar a unidade no Farol;
  • -Parque Municipal foi fechado;
  • -Vias de acesso por trás do Cepa e no Mutange foram bloqueadas;
  • - Prefeitura de Maceió Decretou estado de Emergência em função da ameaça de colapso no Mutange;
  • - Prefeitura e governo do estado criaram comitês de crise para companhar/monitorar a situação da mina e seus efeitos;
  • - Feriado do Dia dos Evangélicos foi suspenso na área da saúde para que esforços sejam concentrados em feridos, se ocorrer uma tragédia;
  • - Justiça determina que a Prefeitura e a Defesa Civil apresentem o mapa atualizado das áreas de risco em Maceió;
  • - O bairro do Bom Parto é incluído no programa de realocação;

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