Boca da Mata
Família de morto arromba porta de cemitério para fazer sepultamento
Prefeitura alega que administração não recebeu comunicado sobre enterro do corpo
Um caso inusitado aconteceu no município de Boca da Mata nesta segunda-feira,17. Familiares e amigos de uma pessoa que seria sepultada no cemitério público do povoado de Peri-Peri encontraram o portão fechado no momento do sepultamento no final da tarde. Depois de esperar um tempo considerável com o caixão à porta do cemitério, parentes do morto decidiram arrombá-la com machado e serra para dar andamento ao ritual.
Não bastasse isso, diante da ausência do coveiro a própria família fez o sepultamento do corpo no mausoléu particular, lacrando, em seguida, com cimento. A imagem do carro da funerária na porta do cemitério correu pelas redes sociais e atraiu curiosos. Peri-Peri é um povoado pequeno onde as famílias de conhecem e ficaram indignadas com o descaso.
Em nota oficial, a Prefeitura de Boca da Mata lamentou o ocorrido, disse que está apurando a situação, mas responsabilizou a família do morto pelo caso, acusando que não houve comunicado oficial sobre o sepultamento e nem a emissão da guia que autoriza o procedimento.
Na nota, a prefeitura defendeu o coveiro alegando nunca haver ocorrido nenhum registro de processo administrativo. A prefeitura também se ofereceu para prestar qualquer atendimento socioassistencial à família. Confira a nota:
"Sobre os fatos ocorridos em cemitério localizado no distrito Peri-Peri, no final da tarde desta segunda-feira (17.02.2025), a Prefeitura de Boca da Mata manifesta suas condolências à família enlutada e se coloca à disposição para prestar qualquer atendimento socioassistencial. Informamos que a situação está em apuração no âmbito administrativo, com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias envolvidas e adotar as medidas cabíveis. Antecipamos, contudo, as seguintes informações:
1) Para garantir o adequado funcionamento dos serviços funerários, é necessário que cada sepultamento seja precedido por uma comunicação prévia e pela emissão da guia de sepultamento. De acordo com as primeiras informações, esse documento não foi previamente emitido pela família, o que inviabilizou o registro e a notificação do sepultamento junto ao cemitério em questão;
2) O servidor envolvido não possui registros de processos administrativos ao longo dos anos de sua atuação, já tendo realizado diversos sepultamentos durante a madrugada, especialmente no período da pandemia de COVID-19;
3) Na condição de servidores públicos, os coveiros encontram-se à disposição para realizar os sepultamentos, inclusive aos finais de semana e, até mesmo, fora do horário de expediente, mas essa dedicação não dispensa a necessidade de uma prévia comunicação à Administração e da observância aos deveres de cada cidadão para com a coisa pública.
Reforçamos a importância do respeito mútuo entre servidores e cidadãos, pois esse fator é essencial para a prestação de serviços públicos de qualidade.