JUSTIÇA

Vítimas da Braskem recorrem para punir subsidiárias da empresa na Europa

Novo recurso argumenta que as subsidiárias lucraram com as atividades de mineração em Maceió
Assessoria
Vítimas da Braskem recorrem para punir subsidiárias da empresa na Holanda
Vítimas da Braskem recorrem para punir subsidiárias da empresa na Holanda

Quase um ano após a Braskem SA ser condenada na Justiça da Holanda, vítimas dos afundamentos em Maceió entraram com novo recurso na terça-feira, 24. O pedido busca estender a responsabilização às subsidiárias europeias envolvidas nas operações da petroquímica no Brasil.

O EXTRA já havia antecipado o andamento do caso. Em julho de 2024, a Corte de Roterdã concluiu que a Braskem SA foi responsável pelo desastre causado pela extração de sal-gema e determinou o pagamento de indenizações às vítimas. Os valores ainda serão definidos em etapas posteriores.

O novo recurso argumenta que as subsidiárias da Braskem na Holanda lucraram com as atividades de mineração em Maceió e contribuíram diretamente para a operação que causou o afundamento de cinco bairros. A Braskem também recorreu da decisão que responsabilizou a matriz brasileira.

O processo é movido por nove moradores de Maceió, que são representados pelo escritório internacional Pogust Goodhead e pelo holandês Lemstra Van der Korst. Os autores alegam que a atividade mineradora provocou a abertura de crateras e o colapso do solo urbano.

As partes envolvidas têm até outubro de 2025 para apresentar suas contra argumentações. A decisão sobre os recursos apresentados deve ser proferida pela Justiça holandesa ao longo de 2026, segundo os advogados que acompanham o caso.

Outros milhares de atingidos já manifestaram interesse em buscar reparação judicial na Holanda. A ação atual foi protocolada inicialmente em 2020, com foco na responsabilização internacional da Braskem e suas subsidiárias por danos ambientais em Maceió.

Bairros desocupados por risco de colapso

Cinco bairros de Maceió — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol — foram desocupados a partir de 2019 após laudos técnicos apontarem risco de colapso do solo. A causa identificada foi a extração de sal-gema por parte da Braskem ao longo de décadas na região.


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