Mineração

Monitoramento é iniciado em Craíbas para descobrir origem de tremores

Sismógrafo é instalado e pode apontar se mineradora possui relação com rachaduras em imóveis
Por Redação 11/02/2026 - 13:46
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Divulgação
Mineradora Vale Verde, em Craíbas, financia estudo para apontar origem dos tremores de terra em Craíbas e região
Mineradora Vale Verde, em Craíbas, financia estudo para apontar origem dos tremores de terra em Craíbas e região

Equipe da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) iniciou esta semana a instalação de um sismógrafo na zona rural de Craíbas, no Agreste de Alagoas, para monitorar vibrações no entorno da Mineradora Vale Verde (MVV). O estudo tem como objetivo avaliar se a atividade mineradora possui relação com rachaduras registradas em residências da região.

A primeira localidade que recebeu o equipamento foi o Sítio Lagoa do Mel. O sismógrafo, capaz de registrar vibrações entre 0,0127 mm/s e 250 mm/s, ficará instalado por 20 dias e segue, após esse período, para as localidades de Torrões e Pau Ferro. Os estudos sismológicos serão financiados pela Mineradora Vale Verde (MVV), fruto de acordo homologado com a Justiça Federal em setembro do ano passado.


O trabalho da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) é coordenado pelo professor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, doutor em Geociências e pesquisador nas áreas de modelagem geoestatística e geometalúrgica. A realização da pesquisa técnica atende a recomendações da Defensoria Pública da União (DPU) em Alagoas, no âmbito da Ação Civil Pública nº 0800795-44.2023.4.05.8001, que tramitou na 8ª Vara Federal. A DPU também orientou o aparelhamento das Defesas Civis de Craíbas e Arapiraca para acompanhamento do caso.

Desde 2021, a mineradora realiza extração de cobre, ferro e ouro no povoado Serrote da Laje e em outras áreas rurais do município. Moradores atribuem as rachaduras em imóveis a explosões semanais realizadas durante a atividade de mineração, chamadas pela empresa de “desmontes”.

Em notas oficiais, a Mineradora Vale Verde nega qualquer relação entre suas operações e os abalos registrados na região, afirmando que mantém monitoramento ambiental contínuo, segue a legislação brasileira e adota práticas alinhadas a padrões internacionais de ESG.

Um estudo inédito obtido pelo EXTRA, atesta que os tremores de terra vêm aumentando em quantidade no decorrer dos anos. Entre 2020 e 2025 foram 89, apenas em Arapiraca. Comparando a períodos anteriores, entre 2015 e 2019, a quantidade era zero.


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