Opinião
A eleição do zero à esquerda... e à direita
O que se anuncia para 2026 não é uma disputa de projetos, é a repetição de um empate de duas décadasFalta muito para que a ficha caia sobre a eleição que se aproxima. Talvez nem caia, porque a mediocridade já foi naturalizada como paisagem. O que se anuncia para 2026 não é uma disputa de projetos, é a repetição administrada de um empate que já dura quase duas décadas. De atrasos e retrocessos absurdamente kafkianos. Ou se abrasileirarmos: macunaímicos.
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O lulopetismo esgotou sua narrativa há muito tempo. Não tem resposta para produtividade estagnada, para o Estado gastador que ele criou, nem para o aumento quase criminoso dos impostos, ou para uma Previdência que a demografia já tornou insustentável. Vive de mentiras, de reciclar inimigos e de vender números e resultados que não enganam ninguém que preste atenção a eles.
O bolsonarismo, por sua vez, e ainda pior, nunca teve programa — teve apenas um aproveitador fingindo indignação e tentando dar um golpe de estado. Trocou construção nacional por manejo de raiva em defesa dos seus próprios interesses espúrios, qualificação técnica por lealdade canina ao clã, e hoje depende mais da sobrevivência política de uma família de gente despreparada sem qualquer noção – por que ideia passa longe dessa gente – sobre para onde conduzir o Brasil.
São dois clãs rasos, inconsequentes, desprovidos do mínimo de qualificação pessoal, técnica e moral para enfrentar os problemas que o país efetivamente tem: crime organizado corroendo a autoridade do Estado, vulnerabilidade externa diante de um mundo que se reorganiza, produtividade que não cresce, capital humano mal aproveitado e uma economia andando a passos de cagado velho. Nada disso entra no debate eleitoral. Nenhuma proposta, projeto de Brasil. Não entra porque nenhum dos dois lados tem o que dizer sobre isso — é um debate público sequestrado por polarização inócua que não cobra dos candidatos aquilo que não sabem responder.
O resultado já está dado antes do primeiro voto: qualquer que seja o vencedor, o país seguirá sem resposta para os dilemas que realmente o ameaçam, porque nenhum dos dois projetos em disputa foi construído para resolvê-los. Nada a esperar dessas eleições que não o mais do mesmo que – mais e mais – infelicita a Nação. Triste isso.



