O verdadeiro vilão é o Estado
O Estado brasileiro consolidou-se como o sócio majoritário da atividade econômica nacional. Sem investir capital ou assumir volatilidade, o fisco captura a maior fatia da riqueza gerada. O contraste operacional entre grandes corporações e a arrecadação governamental expõe essa assimetria estrutural. O Assaí Atacadista faturou R$ 84,7 bilhões em 2025, mas registrou lucro líquido de R$ 278 milhões. Essa margem líquida inferior a 0,33% mostra que a cada R$ 100 vendidos, centavos restam ao acionista.
A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 36,6 bilhões em 2024 e pagou R$ 270 bilhões em tributos. A estatal transferiu ao Estado mais de sete vezes o valor do seu ganho final anual. No mesmo período, a Ambev destinou R$ 41,2 bilhões ao fisco, enquanto o Itaú Unibanco recolheu R$ 25,7 bilhões. O estudo da FGV aponta que apenas 270 companhias abertas geraram R$ 639,6 bilhões em tributos em 2024. Esse grupo concentrou quase um quarto do recolhimento federal total e representou 17% do PIB do país.
A carga tributária bruta do Brasil atingiu o recorde histórico de 32,4% do PIB em 2025. O avanço foi impulsionado pelo aumento de arrecadação do IRRF e reajustes de alíquotas federais. A marca aproxima o país da média observada nos membros da OCDE, fixada em 34,1%. Contudo, a OCDE tributa prioritariamente renda e patrimônio, devolvendo infraestrutura e bem-estar de ponta. O modelo brasileiro foca excessivamente no consumo e na folha, penalizando a base da pirâmide socioeconômica.
Essa estrutura regressiva corrói o poder de compra da população de forma contínua e severa. O salário mínimo de R$ 1.518 em 2025 mostrou-se incapaz de cobrir a cesta básica nas capitais. Os impostos indiretos embutidos na energia, transporte e alimentos encarecem drasticamente o custo de vida. O cidadão financia serviços privados de saúde e educação por conta da ineficiência estatal básica. A narrativa pública vilaniza o setor produtivo, ignorando o sufocamento das margens de lucro operacionais.
O sistema atua de forma extrativa, restringindo novos investimentos e a expansão do emprego formal. A burocracia e o peso fiscal elevado empurram empreendedores e trabalhadores para a informalidade. A reforma tributária promulgada em 2023 simplificou obrigações, mas preservou a alta carga agregada. O novo IVA manteve a tributação sobre o consumo elevada, sem atenuar o perfil regressivo nacional. A ausência de freios nos gastos públicos perpetua a necessidade de expansão da receita fiscal.
Garantir o crescimento de longo prazo exige reavaliar o equilíbrio entre arrecadação e retorno público. O ambiente produtivo nacional demanda reformas profundas focadas na eficiência e na redução real de alíquotas. Sem uma ampla mobilização social, a máquina estatal manterá sua posição de sócia majoritária compulsória. O fortalecimento econômico depende diretamente da desoneração urgente de quem produz e de quem consome.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



