Justiça

Defensoria cobra R$ 41,8 milhões de Maceió para sanar crise do lixo

Defensor ingressa com ação civil na Justiça visando impedir colapso na limpeza urbana
Assessoria
Lixos acumulados nas ruas de Maceió
Lixos acumulados nas ruas de Maceió

O defensor público Othoniel Pinheiro Neto, coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública do Estado (DPE) de Alagoas, ingressou na Justiça nesta terça-feira, 21, com uma ação civil pública contra o Município de Maceió e a Alurb, a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana, com intuito de colocar um ponto final na crise da coleta de lixo que se estende na capital com a falta de pagamento de R$ 41,8 milhões devidos pela Prefeitura de Maceió às empresas que executam o serviço de limpeza.

A ação pede tutela de urgência para obrigar o Município a regularizar a coleta, garantir transparência na prestação do serviço e pagar o passivo milionário com a empresa Naturalle Tratamento de Resíduos e a Via Ambiental Engenharia e Serviços. A informação inicial é do site Tribuna do Sertão.

Na petição, a defensor afirma que a Prefeitura de Maceió se encontra em situação de “mora sistemática e reconhecida” e sustenta que a inadimplência municipal é a causa determinante da precariedade da coleta de lixo observada em diversos bairros de Maceió. NA avaliação de Othoniel Pinheiro, o problema ultrapassou os limites de uma disputa contratual e passou a representar uma ameaça direta à saúde pública, ao meio ambiente e à dignidade da população. 

A ausência da coleta de lixo pode levar a cidade a um “colapso operacional integral”, com consequências sanitárias de difícil reversão, segundo a ação. A Naturalle, responsável pela coleta e pelo transporte de resíduos na parte baixa de Maceió, informou à Defensoria que a prefeitura devia R$ 14.892.209,05 referentes aos anos de 2023, 2024 e 2025, além de serviços prestados durante o mês de abril de 2026. 

A empresa acrescentou outros R$ 9.012.259,86, relativos aos serviços executados em maio de 2026, cujas parcelas venceram nos dias 15 e 30 de junho, resultando na dívida global de R$ 23.904.468,91. No ofício enviado à Defensoria, a empresa alertou que o pagamento seria essencial para assegurar a continuidade regular da coleta e do transporte de resíduos sólidos urbanos. Já a empresa Via Ambiental apresentou uma situação mais grave. Responsável pela coleta da parte alta da capital, declarou que a morosidade nos pagamentos ocorre desde o início da execução do contrato, em 2020, com valores reconhecidos administrativamente e que ainda não teriam sido quitados. 

A Defensoria considerou como líquido, certo e reconhecido de R$ 26.993.293,93 devido pela prefeitura à empresa. Além disso, a empresa apresentou R$ 15,7 milhões em pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro ainda pendentes de análise ou conclusão pela Administração Municipal. Parte desses procedimentos, segundo a petição, tramita há mais de quatro anos. 

O passivo atravessou gestões, mas se agravou sob o Governo JHC. Em 2020, quando os contratos foram assinados e iniciados, o prefeito de Maceió ainda era Rui Palmeira. João Henrique Caldas, o JHC, era prefeito eleito e participou da transição administrativa em dezembro daquele ano, assumindo a Prefeitura em janeiro de 2021. 

Portanto, a parcela inicial das pendências que alcança outubro de 2020 remonta ao final da administração anterior. Entretanto, o passivo atravessou praticamente toda a gestão JHC e, conforme os documentos, incorporou reajustes não pagos ou pagos com atraso em 2023, 2024 e 2025, medições de 2026 e processos de reequilíbrio que permaneceram sem solução durante anos, segundo informações iniciais. 

Antes de recorrer ao Judiciário, a Defensoria afirma ter tentado resolver o problema por meio de ofícios, reuniões e negociações iniciadas em maio. A primeira reunião ocorreu em 3 de junho, com representantes da Alurb, da agência reguladora e das duas empresas, mas terminou sem avanço. Novos encontros foram realizados em 17 de junho, 2 de julho e 8 de julho. Segundo a petição, a Secretaria Municipal da Fazenda foi convidada para participar das negociações, mas deixou de comparecer a sucessivas reuniões e não apresentou justificativa. 


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