CRIME ORGANIZADO
Gaeco denuncia grupo por golpe do consignado em 22 municípios de AL
Investigação aponta 175 vítimas, a maioria idosos, pessoas analfabetas ou com deficiência
A 17ª Vara Criminal da Capital recebeu denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra nove pessoas acusadas de integrar um esquema de fraudes em empréstimos consignados que teria atingido ao menos 22 municípios de Alagoas.
Segundo a decisão publicada no Diário da Justiça Eletrônico desta sexta-feira, 18, a investigação aponta 175 vítimas identificadas, a maioria idosos, pessoas analfabetas ou com deficiência, e prejuízo mínimo estimado em R$ 1 milhão.
De acordo com a denúncia, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas, captando vítimas vulneráveis, usando falsas identidades de funcionários bancários, produzindo documentos e vídeos e contratando empréstimos sem autorização.
Os valores obtidos, ainda segundo o Ministério Público, eram desviados e parte deles passava por um processo de lavagem por meio da compra e revenda de celulares de alto valor. A investigação também cita transferências bancárias não autorizadas e desvio de benefícios previdenciários.
O Gaeco apontou Maxilan Silva dos Santos como principal articulador e liderança do esquema. Rubens Alves Bezerra e Vinícius Cavalcante de Souza teriam atuado no núcleo operacional, acompanhando liberações de crédito, prospecção de vítimas e circulação dos valores.
Elisabete Silva de Melo é descrita na denúncia como participante direta das fraudes, com atuação na obtenção de documentos, envio de informações às instituições financeiras e divisão dos valores. Maria José dos Santos, conhecida como “Masé”, teria auxiliado na coleta de documentos, fotos e vídeos.
Tamiris dos Santos Ferreira e Ednei Roberto Pereira Ataíde são citados em razão da empresa Cred Ataíde, apontada pela acusação como canal usado para liberar créditos fraudulentos. O documento registra movimentação de R$ 317 mil em créditos na conta de Tamiris entre março e agosto de 2024.
Nayara Vieira Almeida e Silva teria disponibilizado contas bancárias para receber e movimentar recursos e orientado a gravação de vídeos usados nas operações. Iara Soares dos Santos, por sua vez, é acusada de receber R$ 2 mil oriundos da conta de uma vítima.
A denúncia atribui aos investigados, em tese, crimes de estelionato eletrônico qualificado contra idoso, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ao receber a acusação, a Vara determinou a citação dos réus para apresentação de resposta no prazo de dez dias.
A Justiça, porém, negou o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público. A decisão considerou que os fatos começaram em 2023 e que não foram apresentados elementos novos ou contemporâneos capazes de demonstrar risco atual que justificasse a prisão cautelar.
O juízo ressaltou que o recebimento da denúncia, por si só, não autoriza a prisão preventiva e afirmou que a medida exige demonstração concreta de perigo atual, como risco de reiteração, fuga ou interferência na instrução processual.
A atuação do Gaeco nesse processo já havia sido formalizada pelo Ministério Público de Alagoas em março de 2025, quando integrantes do grupo foram designados para atuar em conjunto com a 6ª Promotoria de Justiça de Palmeira dos Índios nos autos de nº 0701777-71.2025.8.02.0001.



