política
Supremo concentra investigações contra autoridades durante ano eleitoral
Inquéritos apuram desde fraudes financeiras e irregularidades em emendas parlamentares
Durante o ano eleitoral de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) reúne um conjunto expressivo de investigações conduzidas pela Polícia Federal que têm como alvo autoridades dos Três Poderes. Os inquéritos, distribuídos entre os gabinetes dos ministros da Corte, apuram crimes que vão de fraudes financeiras e irregularidades em emendas parlamentares ao vazamento de informações sigilosas e suspeitas de comercialização de decisões judiciais.
A Constituição assegura foro por prerrogativa de função a cargos como presidente da República, ministros de Estado, parlamentares e magistrados de tribunais superiores. Em razão disso, cabe ao STF acompanhar os casos desde a fase investigativa até eventual julgamento. Após os atos de 8 de janeiro, a Corte também passou a centralizar apurações relacionadas à destruição do patrimônio público e à tentativa de ruptura institucional. Atualmente, mais de 500 investigações tramitam no Supremo, inclusive algumas que permanecem sob a guarda de gabinetes de ministros já aposentados, até redistribuição.
Entre os casos de maior repercussão está a apuração sobre fraudes envolvendo o Banco Master, que investiga prejuízos bilionários ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e possíveis vínculos com autoridades detentoras de foro. O inquérito analisa indícios de uso irregular do mercado de capitais e de estruturas societárias complexas para a prática de ilícitos. Outro foco de atenção é a investigação sobre possível vazamento de informações fiscais de ministros do STF e de seus familiares, envolvendo sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O procedimento tramita sob sigilo e foi instaurado por determinação direta da Corte.
No campo político-orçamentário, o STF acompanha diversos inquéritos ligados a irregularidades na destinação de emendas parlamentares, após o reconhecimento da inconstitucionalidade do chamado “orçamento secreto”. As apurações incluem operações que investigam desvio de recursos públicos, financiamento irregular de campanhas e suposta pressão política na distribuição das verbas. Também seguem em curso investigações sobre fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do INSS, reunidas na operação conhecida como “Sem Desconto”, que apura a atuação de associações, empresários, lobistas e agentes públicos.
Outra frente relevante é a apuração sobre a venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a Polícia Federal, haveria uma rede de intermediários e assessores que antecipavam decisões mediante pagamento de propina, em um esquema ainda em investigação. O conjunto desses inquéritos coloca o STF no centro do debate institucional em 2026, em um cenário marcado por disputas eleitorais e pela atuação simultânea do Judiciário em temas sensíveis à política, à administração pública e ao sistema financeiro.



