Investigação

PF flagra suplente de Davi Alcolumbre sacando R$ 350 mil em dinheiro vivo

Relatório aponta mais de R$ 3 milhões em saques e suspeita de fraude em licitações do DNIT no Amapá
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 12/03/2026 - 19:46
A- A+
Reprodução
Breno Chaves Pinto entrando e saindo com a mochila no banco
Breno Chaves Pinto entrando e saindo com a mochila no banco

A Polícia Federal registrou o momento em que o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), deixou uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro vivo, no município de Santana.

O episódio faz parte de um relatório produzido durante investigação sobre suspeitas de fraude em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá.

Segundo a investigação, agentes passaram a monitorar o empresário após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo sucessivos saques em espécie realizados após recebimento de recursos de contratos públicos.

De acordo com o relatório da PF, empresas ligadas a Breno Chaves Pinto teriam realizado saques que somam mais de R$ 3 milhões, em datas próximas a pagamentos de contratos firmados com o DNIT. Para os investigadores, o padrão das movimentações pode indicar indícios de lavagem de dinheiro.

Um dos episódios citados ocorreu em 7 de novembro de 2024. Segundo a PF, Breno chegou à agência por volta das 13h14 em uma SUV branca, entrou no local com uma mochila e permaneceu cerca de meia hora no interior do banco. Ao sair, retornou ao veículo e deixou o local.

A investigação também aponta que o empresário teria influência sobre a superintendência regional do DNIT, utilizando sua condição de suplente de senador para, em tese, praticar tráfico de influência em processos licitatórios.

Defesa e posicionamentos

Procurado, Breno Chaves Pinto afirmou que os saques em dinheiro estavam relacionados a pagamentos operacionais de sua empresa.

“O presente processo tramita sob segredo de Justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos”, declarou em nota.

O senador Davi Alcolumbre também se manifestou e disse que não possui relação com a atuação empresarial de seu suplente.

Em nota anterior, o DNIT informou que colabora com as investigações e que repudia qualquer prática fraudulenta ou ato de corrupção.


Encontrou algum erro? Entre em contato