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Fim da 6x1: trabalhadores já fazem planos para mais tempo com a família

Proposta precisa passar pelo Senado, mas expectativa entre empregados é de mais convivência familiar
Por Redação 29/05/2026 - 08:33
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© José Cruz/Agência Brasil
Protesto contra escala 6x1
Protesto contra escala 6x1

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 foi recebida com entusiasmo por trabalhadores de diferentes regiões do país. Embora a medida ainda precise ser analisada pelo Senado antes de entrar em vigor, muitos já projetam mudanças significativas na rotina, especialmente no convívio familiar e no tempo destinado ao lazer e aos estudos.

No Rio de Janeiro, a atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, vê na possível mudança a oportunidade de passar mais tempo com as filhas de 12 e 7 anos. Atualmente, ela trabalha de segunda a sábado e ainda enfrenta cerca de duas horas diárias de deslocamento. Segundo a trabalhadora, a rotina intensa a impede de acompanhar atividades simples da vida das filhas, como passeios e momentos de lazer.

O balconista Emerson Santos, de 43 anos, também espera aproveitar o eventual segundo dia de folga para fortalecer os laços com o filho de 13 anos. Ele relata que os momentos de lazer em família, como visitas a cachoeiras e trilhas, tornaram-se raros devido à jornada atual.

A expectativa é compartilhada por trabalhadores que convivem com familiares submetidos à escala. O gerente de loja Victor Pacheco, de 23 anos, afirma que a mudança representaria um alívio para sua mãe, funcionária de uma fábrica de biscoitos. Segundo ele, a trabalhadora enfrenta longos deslocamentos diários e chega em casa próximo da meia-noite, o que reduz drasticamente o tempo disponível para a convivência familiar.

Entre as mães que atuam sob a jornada 6x1, a perspectiva de mais tempo livre também é vista como uma oportunidade de acompanhar mais de perto o crescimento dos filhos. Uma atendente de quiosque de sorvetes entrevistada pela Agência Brasil afirmou que espera utilizar a folga adicional para levar a filha ao pediatra, acompanhar vacinas e participar mais ativamente da rotina da criança.

O impacto positivo esperado não se limita à vida familiar. A atendente Stephanie Gonzaga, de 34 anos, acredita que poderá dedicar mais tempo aos estudos e avançar no curso técnico de enfermagem. Para ela, a sobrecarga de trabalho frequentemente compromete a disposição necessária para conciliar emprego e qualificação profissional.

Em São Paulo, o sentimento é semelhante. Trabalhadores ouvidos pela Agência Brasil destacaram que o fim da escala 6x1 pode representar uma melhoria significativa na qualidade de vida. O funcionário de papelaria Flávio Antunes afirma que pretende aproveitar o tempo extra com a esposa e o filho. Já a vigilante Celma Araújo comemorou a medida por acreditar que ela beneficiará diretamente seu marido e seu filho, ambos submetidos à jornada atual.

Para o porteiro Everton França, ex-metalúrgico, a mudança poderá inclusive estimular o retorno de profissionais que deixaram determinadas atividades devido à carga excessiva de trabalho. Ele acredita que a adoção de uma escala 5x2 tende a ampliar oportunidades de emprego e tornar algumas profissões mais atrativas.

A proposta aprovada pelos deputados representa uma das mais relevantes mudanças nas relações de trabalho dos últimos anos. Enquanto o texto segue para análise do Senado, trabalhadores de diversos setores já alimentam a expectativa de conquistar mais tempo para a família, o descanso, a qualificação profissional e o bem-estar.

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