Política
Polícia Federal investiga fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos
Senador é investigado por lavagem de dinheiro e teria fugido pela fronteira com a Argentina
A Polícia Federal verifica desde a madrugada desta terça-feira,27, se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibi-lo de sair do país e mandar recolher seus passaportes. O ICL Notícias esteve na mansão dele em Brasília e ninguém atendeu o interfone no imóvel.
A verificação começou depois que o portal argentino Infobae publicou, por volta das 2h (horário de Brasília), que Flávio “teria saído” do Brasil. O texto utiliza fontes sem identificação. Segundo o portal, o senador cruzou a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, num jato particular com destino aos Estados Unidos. A decolagem estaria prevista para as 2h, horário local.
A aeronave citada é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, registrado desde 2020 em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. De acordo com a Infobae, a empresa pediu trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes. A reportagem não diz quem seriam os passageiros. Registros públicos de rastreamento mostram que o jato voou de Buenos Aires a Puerto Iguazú, mas não registram decolagem para os EUA.
A PF não encontrou registro de passagem do senador pela fronteira regular com a Argentina. A PF também acionou autoridades argentinas.
Flávio Bolsonaro não entregou seu passaporte à Polícia Federal (PF) dentro do prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação foi expedida no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O descumprimento ocorre em meio a suspeitas de que o senador, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, tenha deixado o território brasileiro pela fronteira com a Argentina.
A decisão de Moraes estabeleceu três medidas principais: a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, e a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais documentos de viagem emitidos por outras nacionalidades.
O parlamentar chegou a reconhecer publicamente que havia sido intimado pela Polícia Federal. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que visitou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (26), e mencionou a determinação para entregar o documento.
Apesar disso, o senador não cumpriu a exigência dentro do prazo estabelecido pelo ministro do STF. A informação acrescenta um novo elemento à investigação sobre seu paradeiro e sobre um possível descumprimento das restrições impostas pela Justiça.
Até o momento, as informações divulgadas não permitem confirmar que Flávio Bolsonaro efetivamente tenha ingressado em território argentino ou embarcado em uma aeronave para outro destino.
Investigação envolve advogado Willer Tomaz e empresas de apostas
As medidas determinadas por Alexandre de Moraes fazem parte de um processo que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
A apuração examina um suposto esquema financeiro relacionado a empresas ligadas ao advogado e ao setor de apostas esportivas, conhecido como mercado de bets.
A proibição de contato entre os dois investigados foi uma das providências adotadas pelo ministro, juntamente com as restrições sobre os documentos de viagem de Flávio Bolsonaro. A investigação ainda está em andamento, e as suspeitas apuradas não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.



