justiça
Ministro aguarda PF e PGR antes de decidir sobre inquérito contra Gaspar
Gilmar Mendes analisa pedido de investigação contra vice de Flávio Bolsonaro
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda a conclusão de diligências da Polícia Federal e uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir se autoriza a abertura de inquérito contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A investigação trata de uma suspeita de estupro de vulnerável. As informações são da Folha de S.Paulo.
O pedido de abertura do procedimento foi encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo em 15 de abril. Antes de decidir, Gilmar Mendes solicitou um parecer da PGR, órgão responsável por avaliar se concorda com o prosseguimento da investigação. A Procuradoria, porém, pediu novas diligências à PF, que foram autorizadas pelo ministro.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o prazo para conclusão dessas medidas termina ainda em agosto, mas a Polícia Federal poderá solicitar mais tempo caso considere necessário. A decisão sobre uma eventual prorrogação caberá novamente ao ministro Gilmar Mendes.
Alfredo Gaspar nega as acusações e afirma que a denúncia apresentada por parlamentares governistas estaria relacionada a uma história envolvendo seu primo, o juiz Maurício Breda, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), e não a ele. O deputado sustenta que nunca praticou estupro, que não possui filhos fora do casamento e colocou seu material genético à disposição para eventuais exames.
A representação que deu origem ao pedido da PF foi apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), durante a CPMI do INSS, em março. Os parlamentares afirmaram ter entregue documentos, conversas e informações que, segundo eles, indicariam a suposta prática de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos à época dos fatos.
A denúncia também cita a existência de uma gravidez decorrente da suposta violência e afirma que haveria uma criança atualmente com 8 anos. Os parlamentares alegaram ainda ter apresentado informações sobre uma possível tentativa de impedir a comunicação do caso às autoridades, incluindo supostas negociações financeiras para garantir silêncio.
A defesa política de Flávio Bolsonaro reagiu ao caso e pediu o arquivamento da investigação, classificando a denúncia como sem provas e afirmando que a acusação teria sido utilizada para atingir a reputação de Alfredo Gaspar após sua escolha como vice na chapa presidencial.
O episódio ganhou maior repercussão após o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente. A campanha de Flávio afirmou que Lindbergh e Soraya apresentaram uma acusação de extrema gravidade sem provas suficientes e informou que o deputado alagoano acionou órgãos como PF, PGR e STF contra os parlamentares, alegando possíveis crimes como calúnia, denunciação caluniosa e injúria.



