ELEIÇÕES 2026
Gaspar mantém apoio a Flávio Bolsonaro após carta golpista: "Conte comigo"
Ex-candidato a vice-presidente defende senador após contestação sem provas do resultado eleitoral
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), voltou a manifestar apoio ao senador nesta quinta-feira, 29, mesmo após a divulgação de uma carta de teor golpista na qual Flávio se declarou presidente eleito do Brasil e contestou, sem provas, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo publicado nas redes sociais, Gaspar defendeu o antigo companheiro de chapa, denunciou uma suposta perseguição política e encerrou a mensagem com a declaração: "Conte comigo".
Na gravação, o parlamentar afirmou que a perseguição teria começado "sete minutos após o resultado eleitoral", quando a Polícia Federal solicitou a apreensão dos passaportes de Flávio. Gaspar também chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro de "preso político" e afirmou que Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, estaria na mesma situação caso permanecesse no Brasil. As declarações representam a avaliação política do deputado e não foram acompanhadas de provas de perseguição.
Gaspar também elogiou a atuação de Flávio durante a campanha presidencial. "Eu presenciei, eu vivi, eu conheci um Flávio humano, um Flávio que queria um país melhor", declarou. O deputado afirmou ainda que o senador teria recebido mais de duas mil ameaças de morte durante a disputa, número que não apresentou documentação para comprovar na gravação.
O pronunciamento ocorre um dia depois de Flávio divulgar, na quarta-feira, 28, uma carta em que rejeitou o resultado oficial da eleição. Em versões inicialmente compartilhadas por aliados, o senador se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Posteriormente, alterou o documento publicado em sua conta no X, substituindo a autodeclaração pela expressão "líder do Brasil". Segundo a Folha de S.Paulo, pelo menos quatro versões da carta circularam, com mudanças no texto e até no brasão da República.
Na carta, Flávio voltou afirmar que houve fraude eleitoral sem apresentar provas. O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. O próprio Partido Liberal reconheceu a vitória do petista, assim como Gaspar, que havia admitido a derrota em manifestação divulgada na terça-feira, 27.
Polícia Federal esclareceu medidas contra Flávio
As críticas de Gaspar à atuação policial dizem respeito a uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota oficial divulgada na quarta-feira, 28, a Polícia Federal informou que solicitou, no domingo da eleição, 25, medidas cautelares contra Flávio após identificar risco de saída do país. O ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes e proibiu o senador de deixar o território brasileiro.
A PF informou que os passaportes brasileiro e diplomático de Flávio foram cancelados e que não havia registro oficial de sua saída pelos postos migratórios do país. A corporação também esclareceu que as restrições impostas não autorizavam automaticamente uma prisão nem caracterizavam, por si só, a condição de foragido. O senador chegou aos Estados Unidos na quarta-feira, 28, após deixar o Brasil pela Argentina.
Alfredo Gaspar, que abandonou a candidatura ao Senado por Alagoas para integrar a chapa presidencial de Flávio, já havia manifestado solidariedade ao senador após sua saída do país. No novo vídeo, publicado depois da carta, o deputado não comentou diretamente a autoproclamação de Flávio como presidente eleito nem as acusações de fraude. Reafirmou, porém, a disposição de permanecer ao lado do aliado: "Continuamos juntos torcendo por um Brasil que dê certo".



