MACEIÓ
Vídeo mostra máquinas afundando em área afetada pelo afundamento do solo
Registro no Parque da Lagoa reforça alertas sobre subsidência e risco nos Flexais
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra duas máquinas parcialmente sob o solo na região do Parque da Lagoa, no bairro do Bebedouro, em Maceió, em uma área atingida pela mineração da Braskem. As imagens foram gravadas nesta segunda-feira, 2, e indicam que os equipamentos teriam “afundado” durante a execução de uma obra no local.
No registro, um morador, acompanhado de outro residente da região, afirma que o local fica próximo à saída para a Rua Tobias Barreto. Ele relata que a área estaria passando por obras para instalação de tubulação e afirma que o solo cedeu durante os trabalhos. “O trator afundou. Aqui a área está condenada, está subsidindo”, diz o homem.
As imagens mostram dois maquinários em meio à terra, com parte da estrutura submersa. Durante a gravação, o morador alerta para o que considera uma situação “grave” e menciona impactos ambientais, como a destruição de mangue.
"[Fica] ao lado de uma área de lazer. Quem mora aqui, nesse local, vê o que está acontecendo. Isso é gravíssimo. É importante mostrar essa realidade, porque nós somos vítimas. A empresa que está executando as obras é a causadora desse crime. Que situação precária".
O vídeo foi divulgado nas redes sociais pelo arquiteto e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Dilson Ferreira. Segundo o professor, há registros frequentes de rachaduras em estruturas, surgimento de água dentro de imóveis, ruas afundando e máquinas sendo engolidas pelo solo. Ele classificou o cenário como uma “rotina de risco”.
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"Não se trata de percepção popular ou alarmismo. É fato filmado diariamente. Existem relatórios técnicos que demonstram claramente subsidência. Existem medições que apontam deslocamentos verticais e horizontais do solo. Existem laudos, muitos laudos, de engenheiros, geólogos, urbanistas, biólogos, além de pesquisadores internacionais, explicando tecnicamente o que está acontecendo. Existe uma CPI. Existem investigações em curso. Existem 60 mil pessoas que já foram obrigadas a sair. Existem mais de 14 mil imóveis atingidos. Existem rachaduras fora da área do chamado “Mapa 5”, o que, por si só, desmonta a ideia de que o problema estaria rigidamente delimitado. E agora surgem indícios grave, alvo de processo judicial, discutidos publicamente nesta semana, de fragilidades e possíveis inconsistências nos mapas da Defesa Civil", escreveu.
O professor questiona, na publicação, a demora na adoção de medidas mais rigorosas e defende a realocação imediata de moradores em regiões com evidências de instabilidade. “Já comprovamos que há risco. A realocação não é para depois. É agora”, continua.
O episódio ocorre em meio a novos desdobramentos judiciais envolvendo a Braskem. Recentemente, a Defensoria Pública de Alagoas tentou barrar a venda do controle da empresa, alegando risco de prejuízo às vítimas do desastre ambiental em Maceió. A instituição também aponta possíveis fragilidades na garantia de recursos para indenizações.
Além disso, o coordenador da Defesa Civil de Maceió é réu em ação penal por suspeita de omissão de informações sobre áreas de risco relacionadas à mineração. O caso tramita na Justiça e tem audiência marcada para março.



