Investigação
Caso Joba: Mandante transferiu dinheiro ao executor três horas após crime
Ruan Carlos sacou dinheiro antes do crime e comprou passagem aérea para deixar Alagoas
Novos detalhes da investigação sobre o assassinato de Johanisson Carlos Lima Costa, conhecido como Joba, coordenador das categorias de base do CRB, apontam que o homem acusado de encomendar o crime teria transferido dinheiro ao executor apenas três horas após o homicídio. Ruan Carlos Ferreira de Lima Albuquerque, apontado como mandante, teria sacado uma quantia em uma agência bancária e depositado parte do valor na conta de Raul Silva de Melo, conhecido como “Gordinho”.
A movimentação financeira aparece entre as provas reunidas no processo que levou Ruan e Symeone Batista dos Santos, apontado como intermediário do assassinato, a serem pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio doloso.
Pagamento pelo assassinato
Segundo as investigações, Ruan teria contratado Symeone, seu ex-colega de trabalho, para organizar a execução de Joba. Inicialmente, Symeone teria recusado a proposta de cometer o assassinato, mas indicou Raul, com quem havia tido contato durante o período em que esteve preso.
Os investigadores apontaram que Ruan e Symeone se encontraram pessoalmente na semana do crime para acertar a execução, que custaria R$ 10 mil. Desse total, R$ 4 mil teriam sido entregues a Raul no dia em que o acordo foi firmado. O restante seria pago após o homicídio.
Dados bancários, telefônicos e telemáticos, obtidos com autorização judicial, além de imagens de câmeras de segurança, indicaram que Ruan esteve em uma agência bancária dias antes do assassinato para sacar dinheiro. O valor retirado não foi informado. Parte da quantia teria sido depositada na conta de Raul cerca de três horas depois da morte de Joba.
Suspeito teria comprado passagem para deixar Alagoas
A denúncia do Ministério Público de Alagoas também aponta que Ruan teria comprado uma passagem aérea para viajar no mesmo dia do assassinato, 23 de janeiro deste ano.
A investigação considera que a viagem poderia servir como álibi para o suspeito. O destino não foi divulgado. Após a repercussão do caso nas redes sociais e na imprensa, Ruan teria desistido de viajar e deixado um pen drive e um notebook com um amigo.
Relembre o assassinato de Joba
Johanisson Carlos Lima Costa, de 33 anos, foi morto com um tiro na cabeça em 23 de janeiro, no bairro Santa Lúcia, na parte alta de Maceió. Na ocasião, ele seguia para um ponto de ônibus, onde embarcaria em uma van com destino ao Centro de Treinamento Ninho do Galo, do CRB, para mais um dia de trabalho.
A investigação avançou após a prisão de Symeone, que teria aparecido em imagens de câmeras de segurança ajudando na fuga do atirador. Em depoimento, ele apontou Ruan como responsável por planejar o assassinato, que teria começado a ser articulado em dezembro de 2025.
Ruan se apresentou à polícia três dias depois do crime. Os dois acusados agora aguardam julgamento pelo Tribunal do Júri.



