POLÍTICA
Sem acordo para “substituir” Bolsonaro, Lula pode ter caminho livre em 2026
Fragmentação ganhou novo impulso após o senador Flávio Bolsonaro anunciar pré-candidatura
A falta de consenso na direita e na centro-direita sobre um nome competitivo para a disputa presidencial de 2026 tem criado um cenário que favorece uma possível reeleição do presidente Lula (PT), que aparece à frente nas pesquisas e observa seus adversários divididos entre projetos pessoais, disputas regionais e estratégias divergentes para o próximo ciclo eleitoral.
A fragmentação ganhou novo impulso após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar que foi autorizado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a se lançar como pré-candidato ao Planalto. O comunicado foi feito sem aviso prévio a aliados, segundo lideranças partidárias, e provocou reações discretas, como a manifestação protocolar do presidente do PSD, Gilberto Kassab, além de liberar outros grupos para buscar alternativas fora do PL.
A decisão também ampliou o isolamento do partido de Jair Bolsonaro. Mesmo preso em Brasília, o ex-presidente manteve influência direta sobre a estratégia eleitoral do campo conservador, mas o movimento foi interpretado como um fator de reorganização da centro-direita, que passou a discutir nomes fora do núcleo bolsonarista para enfrentar Lula.
No Congresso, o distanciamento ficou evidente após Flávio condicionar eventual recuo de sua candidatura à anistia do pai e à restituição de seus direitos políticos. Paralelamente, a Câmara aprovou o chamado PL da Dosimetria, que pode reduzir penas relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, mas não devolve a elegibilidade ao ex-presidente, indicando outro caminho institucional.
Partidos como PSD, União Brasil e Novo avaliam cenários alternativos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, citado como nome competitivo, sinaliza prioridade à reeleição estadual. Com isso, surgem especulações em torno de Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, embora sem convergência interna suficiente para consolidar uma candidatura única.
O risco apontado por lideranças é que a dispersão de nomes leve partidos a concentrar esforços nas eleições legislativas, priorizando a ampliação de bancadas e o controle do Orçamento. A estratégia já foi adotada historicamente por siglas do centro político e é vista por parte do PP como mais vantajosa no atual cenário institucional.
Enquanto isso, Lula tem explorado publicamente a ausência de um adversário definido. Em declarações recentes, o presidente afirmou que a multiplicidade de pré-candidatos revela fragilidade da oposição e reforçou críticas ao governo anterior, associando-o à condução da pandemia de Covid-19.
“Eu sei que tem muita gente já pensando na eleição de 2026. Eu ainda não posso pensar porque eu tenho que trabalhar. Deixa eles pensarem quando quiserem. Venham, porque a gente vai dar uma surra em quem se meter a achar que a extrema-direita vai voltar a governar este país”, disse o presidente.
Pesquisas do instituto AtlasIntel indicam Lula à frente em todos os cenários testados, tanto no primeiro quanto no segundo turno, com vantagem expressiva sobre Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.
A direita em Alagoas
Em Alagoas, o cenário nacional se reflete em disputas locais. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro evidenciou a falta de alinhamento entre lideranças da direita e da extrema direita no estado, com apoios fragmentados, silêncio estratégico de parlamentares e indefinições quanto às alianças majoritárias.
O prefeito de Maceió, JHC (PL), mantém distância pública do ex-presidente e não declara apoio ao Planalto, enquanto aliados divergem sobre sua posição. Deputados federais e estaduais adotam cautela, aguardando definições mais próximas do calendário eleitoral, em um ambiente marcado pela força política de Arthur Lira (PP).
Sem um nome próprio forte para cargos majoritários, grupos conservadores locais tendem a apoiar candidaturas já consolidadas e ajustar suas estratégias conforme as movimentações nacionais.



