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Entenda a polêmica envolvendo Dias Toffoli no caso Banco Master
Atuação do ministro no inquérito que apura fraudes no banco concentra críticas
Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2009, Dias Toffoli voltou ao centro do debate público após assumir a condução do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A atuação do magistrado no caso passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares, investigadores e especialistas, ampliando uma trajetória marcada por decisões controversas ao longo de sua passagem pela Corte.
O caso chegou ao STF após pedido da defesa de investigados para que o processo fosse remetido à instância superior, sob o argumento de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro. Toffoli aceitou a solicitação, determinou a subida do inquérito, impôs sigilo às investigações e concentrou em seu gabinete as decisões relacionadas ao caso. Desde então, medidas adotadas pelo ministro passaram a ser interpretadas por críticos como atípicas ou excessivamente intervencionistas na condução da apuração.
Entre os episódios que intensificaram a controvérsia estão a viagem do ministro em um jatinho particular de empresário ligado a personagens do caso, encontros privados com banqueiros e empresários em um resort no Paraná e decisões processuais que, segundo integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, extrapolariam o papel de supervisão judicial. Também causaram estranhamento determinações iniciais para retenção de provas no próprio STF e a escolha direta de peritos para analisar materiais apreendidos, posteriormente revistas após manifestações da PGR.
As críticas se intensificaram diante de reportagens que apontaram vínculos empresariais pretéritos entre familiares do ministro e pessoas relacionadas ao banco investigado, ainda que Toffoli não figure formalmente como sócio ou administrador dos empreendimentos citados. O ministro não comentou publicamente esses pontos até a publicação das reportagens, o que ampliou a pressão política e midiática em torno do caso.
Diante do cenário, senadores apresentaram pedidos de suspeição e de impeachment contra Toffoli, sob o argumento de comprometimento da imparcialidade. As representações, no entanto, foram arquivadas pela Procuradoria-Geral da República, que não identificou elementos jurídicos suficientes para afastá-lo da relatoria. Ministros do STF, como Gilmar Mendes, manifestaram apoio institucional ao colega, enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, divulgou nota afirmando que o Supremo não se submete a pressões políticas ou midiáticas e que eventuais irregularidades serão analisadas nos ritos regimentais.
O episódio reacendeu discussões antigas sobre a trajetória de Dias Toffoli no Supremo. Indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ter ocupado funções estratégicas em governos petistas, o ministro sempre foi associado a decisões que geraram forte reação pública, como sua atuação no julgamento do Mensalão, críticas à Operação Lava Jato e a abertura, sem provocação do Ministério Público, do inquérito das fake news durante sua presidência no STF.
No caso do Banco Master, a defesa do ministro sustenta que todas as decisões foram tomadas dentro dos limites constitucionais, com o objetivo de preservar a estabilidade do sistema financeiro e garantir o devido processo legal. Já críticos afirmam que o conjunto de circunstâncias — viagens, encontros privados e escolhas processuais — compromete a percepção de neutralidade exigida de um magistrado da Suprema Corte.
Enquanto as investigações seguem em curso, o episódio se consolida como mais um capítulo de tensão entre Judiciário, política e opinião pública, reforçando o debate sobre transparência, imparcialidade e os limites da atuação individual de ministros em casos de grande impacto institucional e econômico.



