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Entenda a polêmica envolvendo Dias Toffoli no caso Banco Master

Atuação do ministro no inquérito que apura fraudes no banco concentra críticas
Por Redação 23/01/2026 - 10:37
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STF/Arquivo
Ministro Dias Toffoli
Ministro Dias Toffoli

Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2009, Dias Toffoli voltou ao centro do debate público após assumir a condução do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A atuação do magistrado no caso passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares, investigadores e especialistas, ampliando uma trajetória marcada por decisões controversas ao longo de sua passagem pela Corte.

O caso chegou ao STF após pedido da defesa de investigados para que o processo fosse remetido à instância superior, sob o argumento de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro. Toffoli aceitou a solicitação, determinou a subida do inquérito, impôs sigilo às investigações e concentrou em seu gabinete as decisões relacionadas ao caso. Desde então, medidas adotadas pelo ministro passaram a ser interpretadas por críticos como atípicas ou excessivamente intervencionistas na condução da apuração.

Entre os episódios que intensificaram a controvérsia estão a viagem do ministro em um jatinho particular de empresário ligado a personagens do caso, encontros privados com banqueiros e empresários em um resort no Paraná e decisões processuais que, segundo integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, extrapolariam o papel de supervisão judicial. Também causaram estranhamento determinações iniciais para retenção de provas no próprio STF e a escolha direta de peritos para analisar materiais apreendidos, posteriormente revistas após manifestações da PGR.

As críticas se intensificaram diante de reportagens que apontaram vínculos empresariais pretéritos entre familiares do ministro e pessoas relacionadas ao banco investigado, ainda que Toffoli não figure formalmente como sócio ou administrador dos empreendimentos citados. O ministro não comentou publicamente esses pontos até a publicação das reportagens, o que ampliou a pressão política e midiática em torno do caso.

Diante do cenário, senadores apresentaram pedidos de suspeição e de impeachment contra Toffoli, sob o argumento de comprometimento da imparcialidade. As representações, no entanto, foram arquivadas pela Procuradoria-Geral da República, que não identificou elementos jurídicos suficientes para afastá-lo da relatoria. Ministros do STF, como Gilmar Mendes, manifestaram apoio institucional ao colega, enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, divulgou nota afirmando que o Supremo não se submete a pressões políticas ou midiáticas e que eventuais irregularidades serão analisadas nos ritos regimentais.

O episódio reacendeu discussões antigas sobre a trajetória de Dias Toffoli no Supremo. Indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ter ocupado funções estratégicas em governos petistas, o ministro sempre foi associado a decisões que geraram forte reação pública, como sua atuação no julgamento do Mensalão, críticas à Operação Lava Jato e a abertura, sem provocação do Ministério Público, do inquérito das fake news durante sua presidência no STF.

No caso do Banco Master, a defesa do ministro sustenta que todas as decisões foram tomadas dentro dos limites constitucionais, com o objetivo de preservar a estabilidade do sistema financeiro e garantir o devido processo legal. Já críticos afirmam que o conjunto de circunstâncias — viagens, encontros privados e escolhas processuais — compromete a percepção de neutralidade exigida de um magistrado da Suprema Corte.

Enquanto as investigações seguem em curso, o episódio se consolida como mais um capítulo de tensão entre Judiciário, política e opinião pública, reforçando o debate sobre transparência, imparcialidade e os limites da atuação individual de ministros em casos de grande impacto institucional e econômico.


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