POLÍTICA

Câmara rejeita contas da prefeitura de Maceió na 2ª gestão Rui Palmeira

Contas de 2019 foram rejeitadas por falhas na aplicação de recursos da educação
CMM
Rui Palmeira
Rui Palmeira

A Câmara de Vereadores de Maceió rejeitou, nesta quinta-feira, 29, a prestação de contas da prefeitura de Maceió relativa ao exercício financeiro de 2019, quando o Município estava sob a gestão de Rui Palmeira (PSD), atual vereador pela capital. A decisão ocorreu após parecer da Comissão de Orçamento e Finanças da Casa, que apontou falhas na aplicação de recursos da Educação.

Segundo o parecer da Comissão, relatado pelo vereador Neto Andrade (PL), dentre as irregularidades encontradas está o descumprimento do artigo 212 da Constituição Federal, que determina aplicação mínima de 25% da receita de impostos na manutenção e desenvolvimento da educação.

"Aprovar contas nessas circunstâncias seria inverter a lógica do controle externo, transformando exceções contábeis em regra e esvaziamento a força normativa da constituição financeira", conclui o parecer.

Na defesa contida no parecer, Rui sustentou a "regularidade formal da execução orçamentária, a inexistência do dolo ou má fé do gestor, a alegada observância do minimo constitucional em educação e a possibilidade de mitigação das inconsistências apontadas em razão do contexto financeiro do exercício".

Já durante a sessão, antes da votação, Palmeira afirmou que não houve prejuízo aos cofres do Município e afirmou que a "questão é política, não tem nada de jurídica". O vereador também alfinetou o JHC (PL): "Essas contas de 2019 só chegaram aqui em 2025, seis anos depois. Se a gestão do prefeito JHC assim quisesse, teria enviado essas contas já em 2021", disse.

"Eu fico até preocupado porque o prefeito JHC abre aqui um precedente e ele logo, logo vai ser ex-prefeito. Agora, imaginem as contas do prefeito JHC de 2024, quando forem analisadas por essa Casa. Prejuízo para os munícipes, para os aposentados, de R$ 100 milhões que foram aportados nas 'letras podres' do Master. Já seria suficiente para rejeitar as contas", afirmou.

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A votação foi secreta. O placar foi de:

  • 14 votos pela rejeição da prestação de contas
  • 9 votos pela aprovação da prestação de contas
  • 2 abstenções

Possível inelegibilidade

Com a rejeição das contas, Rui Palmeira pode ser alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. Pela Lei da Ficha Limpa, a rejeição por irregularidade insanável (que não pode ser corrigida) e por ato doloso de improbidade (quando há intenção de causar dano ou violar a lei) pode resultar em inelegibilidade por até oito anos, desde que a decisão seja definitiva e tomada pelo órgão competente. A análise sobre eventual impedimento cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


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