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Braga atribui a Lira criação do orçamento secreto e cobra responsabilização

Deputado afirma que ex-presidente da Câmara foi o principal articulador do esquema
Por Redação 10/02/2026 - 06:03
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Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Rivais: Arthur Lira e Glauber Braga
Rivais: Arthur Lira e Glauber Braga

O deputado federal Glauber Braga, que foi afastado do cargo temporariamente, afirmou que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, foi o principal responsável pela criação e sustentação do chamado orçamento secreto. A declaração foi feita em entrevista ao programa Bom Dia 247, ao comentar a autorização de uma acareação no âmbito de um inquérito conduzido pela Polícia Federal e sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Glauber Braga, a acareação solicitada pelo deputado José Rocha e autorizada pelo ministro Flávio Dino representa um momento relevante para confrontar versões e aprofundar a apuração sobre o funcionamento das emendas parlamentares. Para o parlamentar do PSOL, o procedimento pode revelar contradições e contribuir para a responsabilização dos envolvidos.

Ao tratar diretamente do papel do então presidente da Câmara, Glauber foi categórico ao afirmar que Lira teria articulado politicamente um modelo que permitiu a destinação de grandes volumes de recursos públicos sem transparência sobre a autoria das indicações. Na entrevista, o deputado também relacionou as denúncias às declarações de José Rocha, que teria sido pressionado a redirecionar recursos já aprovados por comissão da Câmara para atender interesses específicos, recusando-se a fazê-lo e levando o caso à Polícia Federal.

Glauber Braga ainda associou o funcionamento do orçamento secreto à atuação de assessores ligados à presidência da Câmara, citando investigações que apontam o redirecionamento das emendas como parte do esquema sob apuração. Para ele, a acareação é apenas uma etapa de um processo mais amplo que pode culminar na responsabilização de Arthur Lira.

O deputado afirmou que o avanço das investigações já resultou em parlamentares tornados réus e em julgamentos previstos no Supremo. Na avaliação dele, parte da ofensiva política contra o STF estaria relacionada ao receio de punições decorrentes do uso irregular das emendas parlamentares. Ao final, Glauber Braga defendeu que práticas como a ocultação da autoria das emendas e o uso de diferentes rubricas orçamentárias para contornar decisões judiciais configuram ilegalidade e devem ser apuradas pelas instâncias competentes.


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