bastidores
Disputa por vaga no TCU expõe divisão na oposição e amplia chances do PT
Último indicado ao TCU, Jonathan de Jesus, apadrinhado por Lira, é alvo de críticas internas
A disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), que será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, mobiliza ao menos cinco candidatos e evidencia divisões entre partidos do Centrão e da oposição, cenário que pode favorecer o nome apoiado pelo governo federal. Cedraz deixa o cargo na próxima semana, e a indicação do substituto cabe à Câmara dos Deputados. Até o momento, a base governista lançou apenas um candidato, enquanto outras siglas articulam diferentes nomes para a cadeira.
O deputado Odair Cunha (PT-MG) é o nome apoiado pelo governo e conta com o respaldo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Como a votação é secreta e não há segundo turno, a multiplicidade de candidaturas entre adversários tende a beneficiar o petista. Entre os nomes colocados estão também Danilo Forte (União Brasil-CE), com apoio de partidos do Centrão e de setores da oposição; Hugo Leal (PSD-RJ), respaldado por sua legenda; Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que ainda não consolidou apoios e pode retirar a candidatura; e Altineu Côrtes (PL-RJ), que tenta viabilizar seu nome.
Deputados do União Brasil devem se reunir para discutir a possibilidade de unificar o apoio em torno de um único candidato, com tendência de alinhamento a Danilo Forte. Nos bastidores, lideranças defendem que a falta de unidade pode abrir espaço para a vitória do candidato governista. Há ainda articulações relacionadas à possível abertura de uma segunda vaga no tribunal ainda neste ano, caso o ministro Augusto Nardes deixe o cargo para disputar as eleições ao Senado. Nesse cenário, negociações políticas buscam rearranjos de apoio entre partidos.
Outro tema que permeia as conversas é o caso envolvendo o Banco Master. O episódio ganhou repercussão após decisões do ministro Jonathan de Jesus, indicado anteriormente ao TCU, relacionadas ao acesso do Banco Central a documentos da instituição financeira, o que gerou críticas internas no tribunal. Nos bastidores, também há atenção ao posicionamento do PT sobre investigações envolvendo o banco, já que a bancada do partido no Congresso foi majoritariamente contrária à abertura de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o tema.
Com a votação prevista para as próximas semanas, o cenário segue em aberto e dependerá da capacidade de articulação política dos diferentes grupos na Câmara. O último indicado ao TCU, Jonathan de Jesus —apadrinhado por Arthur Lira (PP-AL)— é alvo de críticas internas por ter restringido o acesso do Banco Central a documentos da instituição financeira. A decisão repercutiu mal entre ministros do tribunal.



