colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

Braskem: nove anos de impunidade. Até quando?

14/02/2026 - 06:00
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Passados nove anos do desastre provocado pela Braskem em Maceió, o que se vê é um retrato cruel da impunidade. Nenhum dirigente foi responsabilizado de forma efetiva e a empresa segue operando como se nada tivesse acontecido.

Nesse período, Prefeitura de Maceió e governo estadual celebraram acordos espúrios, na pior acepção da palavra. Pactos frágeis, duvidosos e que em nada atenderam às vítimas. Pelo contrário: serviram apenas para blindar interesses políticos e empresariais.

As famílias afetadas foram abandonadas. Perderam casas, raízes, memórias e dignidade. O poder público, que deveria proteger, virou as costas e deixou milhares de cidadãos ao léu. As justiças estadual e federal, por sua vez, seguem em marcha lenta. Negam pleitos, ignoram a lei e a repercussão social. Essa postura indica uma rota perigosa de anomia e prevaricação, corroendo a confiança da sociedade nas instituições.

Recentemente, a IG4 e a Novonor anunciaram acordo para a venda da Braskem. Submeteram o negócio ao Cade, que, diferentemente das autoridades alagoanas, tem feito seu dever de casa. O órgão levantou dúvidas sobre uma operação que beneficia bancos e acionistas, mas novamente prejudica as vítimas e pediu mais tempo para analisar os aspectos e concorrência da proposta das duas empresas. No mesmo compasso, a CVM abriu processo para apurar a conduta dos dirigentes da Braskem.

Nesse novo cenário, a Defensoria Pública de Alagoas, único órgão a persistir na defesa dos atingidos, manifestou-se no Cade pedindo a suspensão do processo da IG4/Novonor e, junto à CVM, acusou a Braskem de forjar balanços desde o início do desastre. A acusação é gravíssima. Se confirmada, terá impacto direto no mercado de capitais, expondo a irresponsabilidade ambiental e a fraude corporativa.

Tudo nesse imbróglio poderia ter sido evitado. À época, a Braskem teve a oportunidade de buscar um entendimento justo com as vítimas. Agora, a IG4 também desperdiça a chance de uma negociação “ganha-ganha” que lhe foi oferecida. Bobearam uma e outra. Mas ainda há tempo. O caminho passa por reconhecer os direitos dos atingidos e construir soluções que atendam as partes.

O Caso Braskem é mais que um desastre geológico: é um desastre institucional. Revela a falência de governos, a omissão da justiça e a força corrosiva de interesses privados. Enquanto bancos e acionistas disputam cifras, milhares de famílias seguem sem reparação.

É hora de transformar a dor em justiça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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