fogo no senado
Renan intensifica embate com Galípolo e acusa presidente do BC de mentir
Senador afirma que chefe do Banco Central omitiu atuação da instituição no caso Banco Master
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ampliou nesta terça-feira, 26, o confronto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao acusá-lo novamente de mentir durante audiência realizada na semana passada sobre o caso do Banco Master.
Galípolo participou de uma sessão da CAE para prestar contas sobre a política monetária, mas acabou sendo pressionado por parlamentares sobre a atuação do Banco Central no processo envolvendo o Banco Master. Durante o depoimento, o presidente do BC e Renan chegaram a trocar acusações em tom elevado.
O principal ponto de divergência envolve a suposta participação do Banco Central em negociações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Renan afirmou que a autoridade monetária teria solicitado R$ 11 bilhões ao fundo para evitar a quebra do Banco Master e conter riscos sistêmicos no mercado financeiro. Galípolo negou a versão e disse que o BC apenas respondeu a consultas feitas pelo próprio FGC.
Nesta terça, o senador voltou ao tema, exibiu trechos da audiência no plenário da comissão e publicou nas redes sociais um documento que, segundo ele, comprovaria o pedido de socorro financeiro. O ofício citado, porém, aponta que o próprio Banco Master teria solicitado assistência financeira ao FGC como parte de um plano de reorganização societária.
O documento enviado pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), em dezembro de 2025, menciona que a autarquia reconheceu a gravidade da situação e recomendou coordenação entre BC e FGC para mitigar riscos sistêmicos.
Outro ponto de atrito ocorreu quando Renan afirmou que Galípolo teria considerado correta, “à primeira vista”, a operação envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB. O presidente do BC rebateu a declaração e afirmou que a instituição não comenta negociações privadas.
O embate também ganhou contornos políticos após Renan defender um projeto de lei que amplia a cobertura do FGC para cobrir prejuízos de institutos de previdência ligados ao Banco Master. A proposta enfrenta resistência no mercado financeiro e foi criticada indiretamente por Galípolo.
Durante a sessão, o senador afirmou ainda que órgãos de fiscalização teriam falhado ao permitir o agravamento da crise envolvendo o banco. O Banco Central, por sua vez, argumenta que fundos de previdência e investimento não estão sob sua supervisão direta.



