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Lula rejeita classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Planalto argumenta que facções criminosas não se enquadram na legislação brasileira
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras reacendeu o debate sobre o tratamento jurídico das facções criminosas no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém posição contrária à medida e sustenta que os grupos não se enquadram no conceito de terrorismo previsto na legislação brasileira.

A classificação foi formalizada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e deverá entrar em vigor a partir de 5 de junho, após os trâmites exigidos pelo Congresso dos Estados Unidos. Integrantes do governo brasileiro argumentam que o enquadramento das facções como organizações terroristas pode abrir espaço para interpretações que permitam pressões ou intervenções externas com base em normas internacionais. Em manifestações anteriores, representantes do Planalto afirmaram que a medida pode gerar reflexos sobre a soberania nacional.

Em novembro do ano passado, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que o governo era contrário à classificação. Segundo ela, a legislação internacional relacionada ao terrorismo pode criar mecanismos que extrapolam as fronteiras nacionais.

O Ministério da Justiça também já manifestou entendimento de que a mudança teria impacto limitado no combate ao crime organizado. A avaliação defendida por integrantes da pasta é que o enfrentamento às facções depende principalmente de ações de inteligência, investigação financeira e retomada de territórios dominados pelo crime.

Outro argumento utilizado pelo governo e por especialistas na área de segurança pública é a diferença conceitual entre terrorismo e crime organizado. Segundo essa interpretação, grupos terroristas atuam motivados por objetivos políticos, ideológicos ou religiosos, enquanto facções criminosas têm como finalidade principal a obtenção de lucro e o controle de atividades ilícitas.

O então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também afirmou durante as discussões sobre o tema que a Lei Antiterrorismo brasileira não se ajusta às características atribuídas ao PCC e ao Comando Vermelho. De acordo com o entendimento defendido pelo governo, a legislação exige elementos relacionados à motivação política ou ideológica que não estariam presentes na atuação das organizações criminosas.

Além das questões jurídicas, o Planalto avalia que a classificação pode produzir efeitos econômicos. Entre as preocupações está a possibilidade de sanções aplicadas pelos Estados Unidos a empresas, bancos ou fundos que venham a ser associados, direta ou indiretamente, às facções, gerando impactos sobre operações financeiras e comerciais.

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