política
Senado já teve parlamentares em exercício aos 91 anos
Siqueira Campos assumiu uma cadeira aos 90 anos
O Senado Federal já teve parlamentares exercendo o mandato depois dos 90 anos. Registros oficiais da Casa mostram que Siqueira Campos, do Tocantins, e Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte, estão entre os casos mais longevos da história recente do Senado, ambos com passagem pelo cargo aos 91 anos.
A Constituição Federal estabelece idade mínima de 35 anos para disputar uma vaga de senador, mas não prevê idade máxima para o exercício do cargo.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2019. José Wilson Siqueira Campos, ex-governador do Tocantins, tomou posse como senador em 16 de julho daquele ano, na condição de primeiro suplente de Eduardo Gomes, que se licenciou para assumir um cargo no governo tocantinense.
Siqueira Campos nasceu em 1º de agosto de 1928. Portanto, tinha 90 anos e estava a apenas 16 dias de completar 91 quando assumiu a cadeira. A própria Agência Senado registrou à época que o parlamentar completaria 91 anos em 1º de agosto já no exercício do mandato.
Documentos da Casa mostram ainda Siqueira Campos presidindo sessão do Senado em 12 de agosto de 2019, quando já estava com 91 anos. Anos depois, durante homenagens após sua morte, sua passagem pelo Senado voltou a ser lembrada pela idade avançada em que exerceu o mandato.
Outro caso de destaque é o de Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte. Nascido em 27 de maio de 1923, ele tomou posse no Senado em 5 de janeiro de 2011, aos 87 anos, para ocupar a vaga deixada por Rosalba Ciarlini, eleita governadora do estado. Naquele momento, tornou-se o senador mais idoso em exercício.
Garibaldi permaneceu no mandato até 31 de janeiro de 2015. Dessa forma, completou 91 anos em maio de 2014 e continuou senador por mais oito meses. Documento publicado pelo próprio Senado na abertura da legislatura de 2011 informava que seu mandato iria até o fim de janeiro de 2015.
Os dois casos também mostram por que é preciso diferenciar a idade na posse da maior idade atingida durante o exercício do cargo. Siqueira Campos assumiu o Senado mais velho, aos 90 anos, enquanto Garibaldi tomou posse aos 87, mas permaneceu na Casa até os 91 anos e oito meses.
Epitácio Cafeteira, do Maranhão, integra o mesmo grupo de políticos que permaneceram no Senado em idade avançada. Eleito em 2006, quando tinha 82 anos, encerrou seu mandato no início de 2015 aos 90 anos. Naquele ano, levantamento da Rádio Senado o apontava como o mais velho entre os parlamentares que estavam deixando a Casa.
Antes deles, Alberto Silva, do Piauí, também havia se destacado pela longevidade parlamentar. Em outubro de 2006, aos 88 anos, era identificado pela Agência Senado como o senador mais idoso daquela legislatura. Seu mandato terminou em 2007.
Mais recentemente, José Maranhão, da Paraíba, ocupou a posição de decano do Senado. Ele morreu em fevereiro de 2021, aos 87 anos, enquanto ainda cumpria mandato. Na ocasião, a própria Agência Senado o identificou como o integrante mais idoso daquela legislatura.
A renovação ocorrida em 2015 também retirou da Casa outros parlamentares de idade elevada. Além de Epitácio Cafeteira, que deixou o Senado aos 90 anos, encerraram seus mandatos João Durval, da Bahia, aos 85; Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, e José Sarney, do Amapá, ambos aos 84; e Ruben Figueiró, de Mato Grosso do Sul, aos 83.
Ivete é a mais idosa atualmente
Na atual composição do Senado, a parlamentar mais velha é Ivete da Silveira (MDB-SC). Nascida em 28 de maio de 1943, ela está com 83 anos. Ivete era primeira suplente de Jorginho Mello e assumiu a cadeira após a renúncia do titular para governar Santa Catarina. O cadastro oficial do Senado a registra atualmente como senadora em exercício.
A trajetória dos parlamentares mais idosos revela uma característica particular do Senado. Enquanto a Constituição exige que o candidato tenha pelo menos 35 anos, não há limite máximo de idade. Além disso, o mandato de senador tem duração de oito anos, permitindo que políticos eleitos ou suplentes assumam e permaneçam na atividade parlamentar mesmo depois dos 80 e, em casos excepcionais, dos 90 anos.
Entre os casos documentados oficialmente pela Casa, Garibaldi Alves e Siqueira Campos chegaram aos 91 anos no exercício do cargo; Epitácio Cafeteira permaneceu até os 90; Alberto Silva chegou aos 88; e José Maranhão, aos 87. São trajetórias que colocam esses nomes entre os mais longevos a ocupar uma das 81 cadeiras do Senado brasileiro.



