SAÚDE

Esquecimentos repetitivos pode indicar necessidade de avaliação médica

Especialista da Santa Casa de Maceió alerta para a importância de estimular o cérebro
Por Assessoria 02/02/2026 - 14:31
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Esquecimentos repetitivos e crônicos
Esquecimentos repetitivos e crônicos

Sabe aquele momento em que a pessoa esquece o que ia dizer ou fazer e dá um “branco” repentino? Situações assim são comuns e, na maioria das vezes, não indicam problemas de saúde. No entanto, quando os esquecimentos deixam de ser episódios isolados e passam a ocorrer com frequência, comprometendo a rotina, é preciso atenção.

De acordo com o coordenador do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia da Santa Casa de Maceió, Aldo Calaça, o esquecimento pode ocorrer em qualquer fase da vida e, quando se manifesta de forma pontual, não apresenta grande significado clínico. “O lapso de memória é um deslize momentâneo. Esquecer uma tarefa simples, um objeto ou onde deixou algo, de forma ocasional, não caracteriza uma doença”, explica.

A preocupação surge quando esses episódios se tornam repetitivos e crônicos, interferindo nas atividades profissionais, sociais e na autonomia do indivíduo. Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica para investigar possíveis causas neurológicas e descartar outras condições associadas à perda cognitiva.

Segundo Aldo Calaça, fatores como ansiedade intensa, depressão e noites mal dormidas podem desencadear dificuldades cognitivas. “A memória está diretamente ligada ao bem-estar do indivíduo. O sono, por exemplo, é uma das principais formas de prevenir problemas de memória, de concentração e de aprendizado”, destaca o especialista.

Outra preocupação frequente da população é associar qualquer esquecimento a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O médico esclarece que, em pessoas jovens, esse tipo de condição é raro. “As doenças degenerativas costumam surgir após os 60 anos e se tornam mais frequentes com o envelhecimento, especialmente acima dos 80. Em indivíduos na terceira ou quarta década de vida, essas doenças são incomuns”, afirma. Ele ressalta, porém, que perdas de memória podem estar relacionadas a outros fatores, como doenças vasculares, infecciosas, metabólicas, tóxicas e até ao alcoolismo crônico.

Para os mais jovens, especialmente aqueles que passam longos períodos diante de telas de computador e celular, o esquecimento costuma estar mais associado ao estilo de vida do que a doenças neurológicas. Em muitos casos, mudanças na rotina e a adoção de hábitos mais saudáveis já contribuem para a melhora do quadro. Ainda assim, quando as alterações cognitivas se tornam persistentes, é fundamental buscar avaliação médica e, se necessário, acompanhamento com neurologista para exames mais específicos das funções mentais superiores.

Além do cuidado clínico, Aldo Calaça reforça a importância de estimular o cérebro no dia a dia. Atividades como leitura, palavras cruzadas, xadrez, quebra-cabeças, além do estudo de música ou de um novo idioma, ajudam a exercitar o sistema nervoso. “Assim como a musculatura precisa de exercício, o cérebro também precisa ser estimulado. As células cerebrais tendem a apresentar melhor desempenho quando são constantemente ativadas”, conclui.


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