Revendo amizades
É bom demais receber amigos! O Exército nos proporciona fazer amigos e, nesses sessenta anos, nossos filhos ganharam tios e primos. Nós ganhamos verdadeiros irmãos. Em qualquer Estado por onde passamos, vamos conquistando pessoas queridas.
Aprendemos que os amigos que nos deixaram pelo caminho não gostavam de nós. Não conversaram, não tentaram entender nossos corações. Sentimos falta de todos eles. Foram embora e jogaram no lixo uma grande amizade.
Na Assembleia Legislativa, fizemos queridos amigos, verdadeiros irmãos. Não poderíamos deixar de lembrar de Selma Suruagy e de Elaine Tenorio. Pessoas incríveis que nos ensinaram muito durante as lutas que enfrentamos pelos Servidores do Poder Legislativo. Mandavam me chamar e avisavam do perigo que corríamos no meio político.
Outro amigo que fiz e com quem permaneci até hoje é o Luciano Aguiar. Nossas famílias são ligadas até o presente momento. Um homem inteligente, político por natureza.
De 8 a 11 de março recebemos em nossa casa cinco casais que vieram de vários Estados do Brasil. São generais e coronéis do Exército que trabalharam com meu marido e hoje são irmãos. As esposas e filhos fazem parte da nova família que conquistamos. Foram dias maravilhosos.
Com a chegada da velhice, a maioria do grupo apresenta várias fragilidades e vamos administrando todas elas. Ainda sobra tempo para rirmos da surdez, da tremedeira, do passo lento. Mas, mesmo assim, agradecemos a Deus pela lucidez que nos resta.
Durante a doença de meu filho João, tivemos uma lição de fraternidade: o filho de um grande amigo era general em Recife. E, graças a ele, nada faltou ao João no Hospital Militar onde ele estava.
Em todo lugar por onde passamos, nesse imenso Brasil, encontramos pessoas queridas que nos ajudam, se precisarmos, e nos reunimos com elas.
No momento atual, filhos e filhas são cuidadores dos pais. Já nos divertimos nas viagens com o Clube que formaram, desempenhando a nova missão que é tomar conta dos idosos teimosos. Hoje já temos uma filha cuidadora, que é nossa motorista, mexe com pagamentos e não nos deixa cair. É uma bênção dos céus.
No passado, quando começamos a luta sindical, Luciano foi chamado pelos deputados para não me deixar ser vice na chapa deles. Ela é perigosa, diziam eles. Coloque outra pessoa. Mas o amigo querido não cedeu e começamos a mostrar à Mesa Diretora que os servidores tinham vez e voz. Foi uma época bonita e promissora.
Não posso falar em amigos sem me lembrar da Zilneide Lajes, que Deus levou em janeiro do ano passado. Conheci a mocinha inquieta e sabida desde cedo. Percebi que ali havia uma boa sindicalista e investi nela. Tornamo-nos amigas e fui lhe mostrando o “caminho das pedras”. Começou como secretária do Velho Sindicato e chegou à Presidência por duas vezes. Perdi uma grande amiga. Deus a tenha em bom lugar.
E a vida foi me ensinando como é bom ter e fazer amigos. Na família, no trabalho, na vida toda. Perder amigos é ruim, mas precisamos aceitar as condições que a vida nos impõe. Desejo a todos que se foram tudo de bom. Que sejam felizes, mesmo estando longe de mim.
Às Forças Armadas, meus agradecimentos por tudo que me ensinaram: fidelidade, hierarquia e amizade sólida.
À Assembleia Legislativa, minhas mágoas pelas perseguições e alguns agradecimentos pelas vitórias conquistadas.
Aos amigos queridos, um forte abraço! Valeu conhecê-los.
Que Deus nos abençoe.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



