O perdão
Tenho ouvido vários padres falando sobre o perdão. Cada dia acho mais difícil perdoar as pessoas que me feriram. Outro dia, um irmão que é espírita me disse que perdoar faz bem à pessoa que foi ofendida. Quero crer nisso, mas meu coração reage de maneira diferente. Muitas vezes você ajuda uma pessoa doente. Fica no hospital, acompanha nas quimioterapias. Acha que a criatura é sua amiga. Doce ilusão! Ela, a doente, se afasta de você por motivos fúteis e desaparece de sua vida. No lado profissional, como tenho espírito preparado para o social, angario inimigos e sou perseguida. O ataque é sempre no meu salário. Vou à justiça e normalmente ganho. Difícil é perdoar os perseguidores. Sempre espero pela lei do retorno. Acho que um dia ela chegará. Como toda criatura humana tenho minhas preferências e não escondo isso. Alguns perguntam por que gosto mais de um parente do que de outro. E a resposta é constantemente a mesma: pela atenção que recebo do preferido ou da preferida.
Nas famílias grandes há pessoas diferentes. Quando ficamos velhos, precisamos de atenção dos mais novos e nem sempre conseguimos. Eu reclamo disso e minhas filhas discordam de mim. Acham que devo ficar calada. Impossível! Reclamo e valorizo mais os que nos procuram. Imagino quando os velhos precisam dos mais novos! Vejo casos horrorosos onde os pais idosos são humilhados e até expulsos de casa. Eu e meu marido trabalhamos a vida toda. Hoje temos uma velhice tranquila sem depender de ninguém. Apenas gostamos de curtir os parentes e amigos que nos procuram. Quando somos vítimas de injustiça e procuramos nossos direitos, escutamos alguns amigos dizerem: fique quieta e perdoe. Mas passamos meses sofrendo com as perseguições, chorando pelas madrugadas, perdendo noites de sono. Depois de tudo isso basta perdoar? Tive uma assessora que trabalhou comigo durante muitos anos. Fiz o que pude por ela. Quando precisou de algo e eu não consegui virou inimiga e fala mal de mim por onde anda. Devo perdoá-la? Tive uma grande amiga que já se foi. Pedi a ela que ajudasse o irmão que estava desempregado. Ele trabalhou na firma que ela dirigia por vários anos. Pouco fazia, faltava muito e tinha regalias. Quando a irmã morreu, botou a empresa dela na justiça. Existe ingratidão maior? Merece perdão por ter denegrido a imagem da irmã? Vejo muitas injustiças no serviço público.
Tenho amigos que perderam o emprego e estão sofrendo, esquecidos pela opinião pública. Em compensação, há algozes que continuam fazendo o mal e usando o dinheiro do povo. Nada acontece com eles, que continuam pisando nos pequeninos. O Brasil está vivendo uma fase negra. A corrupção chegou ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional e à Presidência da República. Até agora, ninguém foi punido e pelo desenrolar dos acontecimentos, todos serão perdoados. Isso é justo? Como vocês veem, meus leitores, a maldade existe em todo lugar: dentro da família, nas empresas públicas e até nas altas esferas do nosso país. E eu pergunto a vocês: quem merece ser perdoado? Quem merece ser punido? Só Deus saberá responder!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



