colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

Fazendo o bem


Esta semana vivi momentos de alegria. Recebi boas notícias, vi excelentes exemplos e resolvi falar de coisas positivas. Fico emocionada quando vejo os exemplos de filhos que respeitam os pais e procuram ajudá-los na velhice. Um parente, amigo nosso, soube que o pai de 90 anos perdeu um cargo que exercia, com competência, num órgão do Estado e entrou em depressão. Ligou para o pai e disse: “Tenha calma, cobrirei seu salário”. O pai, que é jornalista, voltou a ler e a escrever com tranquilidade. Uma filha que vive bem e mora ao lado do Velho Chico, percebeu que o pai não podia mais subir escadas, pois os joelhos estavam fracos. Construiu no terreno da casa uma bela suíte para os pais ficarem lá quando fossem visitá-la. A primeira vez que os idosos ocuparam a suíte foi uma festa! Uma amiga, inativa, perseguida pelos diretores, ganhou na justiça a recuperação do salário. O juiz provou que os perseguidores estavam errados. A justiça dos homens é lenta, mas é correta. A de Deus chega na hora certa. Outra filha percebeu que os pais estavam velhos precisando de ajuda. Veio morar com os idosos e auxilia no que pode.

No Ceará, temos um grande amigo, cuja filha está administrando a vida dos seus idosos. Tenho outra amiga que ficou viúva e mora em seu apartamento com três empregados. Sua filha mais velha cuida dela com muito carinho. Visitei em Penedo uma tia do coração que fez 100 anos. Mora com a filha mais velha e duas cuidadoras. Encontrei-a fazendo palavras cruzadas e dizendo que só tem 99 anos. Belo exemplo. Meu marido tem um sobrinho querido que sempre que é procurado ajuda o tio com muita gentileza. Casou com uma moça muito boa, querida por todos nós. Sinto-me meio mãe da sobrinha do coração. Do lado de meu marido, tenho vários sobrinhos que são muito gentis com os dois velhinhos de 85 anos. Recebo-os no meu paraíso e procuro compensar a falta dos pais falecidos.

Uma neta recebeu recentemente um prêmio nacional em São Paulo. Essa menina formou-se no ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Já trabalhou em vários países, com sucesso, e voltou para o Brasil. É uma engenheira inteligente! Tenho netos morando no Brasil e fora dele. Todos vão bem, tocando suas vidas com ajuda de Deus. A Velhinha das Alagoas vai vivendo a vida com altos e baixos. Leva lapadas de alguns, mas resiste. Ela é prima do João Teimoso, aquele boneco que nunca cai. O que sustenta a velhinha é a família e os amigos. Até nas adversidades ela tira alguns exemplos, levanta a cabeça e vai. Amada por muitos, odiada por poucos, ela, ao lado de filhos e marido, enfrenta a vida com valentia. De vez em quando, recebe a visita de amigos e parentes que lhe trazem boas notícias. Ri, chora e vai levando a vida como Deus quer. A felicidade nunca é completa, mas é preciso sabedoria e maturidade para apreciar os bons momentos e selecionar os bons amigos, na família e fora dela. Quando ela, a Velhinha das Alagoas, fala em gratidão, sempre se lembra de duas pessoas: Angélica e Beto. Deus existe. Não duvidem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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