Jornalista de automóveis desde 1967. Edita coluna semanal que leva seu nome desde 1999 em 70 sites, jornais e revistas. Diretor de redação revista Top Carros.

Conteúdo Opinativo

Pilhagem desalentadora

12/04/2026 - 06:00
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O desalento que corrói o ânimo do cidadão brasileiro nasce da certeza de que o Estado foi convertido em balcão de negócios, onde leis são moeda de troca e o erário, o “espólio da viúva”. 60% dos brasileiros instados a responder sobre o tema se mostram desalentados em relação ao seu futuro e ao desta Nação. Traídos por energúmenos engravatados dos três poderes, quase todos inaptos para gerir a coisa pública, mas especialistas em mentir, engabelar o vulgo, punguistas que são.

Enquanto nas eleições incautos se confrontam na defesa de mitos fuleiros e babalorixás enganadores, estes em suas mansões e palácios elucubram para assegurar que ninguém (deles) fique para trás. Afinal, viram ameaças ambulante ao se sentirem desamparados das benesses perdidas. E aí...

Compram eleições, roubam nos processos na justiça, pilham nos executivos. A podridão é generalizada. A eleição de um deputado federal, por exemplo, assume proporções escandalosas. Eleger um deputado federal custa 20, 30 milhões de reais (de dinheiro roubado). E daí?

Emendas criminosas lhes asseguram 300 milhões de reais durante seus mandatos. Isso sem contar verbas ministeriais malversadas...

O roteiro pós eleições para o andar de cima já está escrito: Mensalão, Lava Jato, Master, rachadinhas, emendas, assalto a orçamentos, contratos superfaturados, prefeituras cooptadas para a roubalheira. É esta a arquitetura do saque. Resta apenas saber qual o nome do próximo mega escândalo.

Enquanto isso, o país sangra. TCU, CGU, IBPT e auditorias independentes convergem: o desvio direto e o custo indireto drenam entre 3% e 5% do PIB, sangria anual. Algo entre R$ 350 a R$ 550 bilhões. Particularmente, tenho certeza que é muito mais. Em três anos, esse montante supera, em poder de compra atual, o volume do Plano Marshall que reconstruiu toda a Europa pós-Hitler!

Com a grana roubada esse país poderia alcançar patamares sustentáveis chineses, em torno de 6% a 7% anuais no mínimo. Para materializar o tamanho do roubo: se somarmos os orçamentos anuais de 18 dos estados do Nordeste, do Norte e do Centro Oeste (excluindo Brasília-DF), a soma dos seus orçamentos seria inferior ao desviado pela corrupção no Brasil! Vale lembrar que nessas 3 regiões residem 90 milhões de brasileiros. Que poderiam se beneficiar, caso a roubalheira fosse controlada. Mas como? A súcia sedenta e voraz sempre quer mais.

Em vez disso, a roubalheira vira aviões, iates, laranjas, paraísos fiscais e impunidade reciclada, emprego não gerado, criança sem vaga, fila que não anda. O Estado foi capturado por quadrilhas de toga, gravata e mandato. Enquanto não tratarmos corrupção como sabotagem econômica, continuaremos financiando nossa própria ruína e abrindo porta para demagogos e asseclas se alimentarem dos nossos recursos. Até quando aceitaremos ser marionetes de ladrões?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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