colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

O diabo comeu a indignação?

12/04/2026 - 08:46
Atualização: 12/04/2026 - 09:43
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O desalento que corrói o ânimo do cidadão brasileiro nasce da certeza de que o Estado foi convertido em balcão de negócios, onde leis são moeda de troca e o erário, o “espólio da viúva”. 60% dos brasileiros instados a responder sobre o tema se mostram desalentados em relação ao seu futuro e ao desta Nação. Traídos por energúmenos engravatados dos três poderes, quase todos inaptos para gerir a coisa pública, mas especialista em mentir, engabelar o vulgo, punguistas que são.

Enquanto nas eleições incautos se confrontam na defesa de mitos fuleiros e babalorixás enganadores, estes em suas mansões e palácios elucubram para assegurar que ninguém (deles) fique para trás. Afinal, viram ameaças ambulante ao se sentirem desamparados das benesses perdidas. E aí...

Compram eleições, roubam nos processos na justiça, pilham nos executivos. A podridão é generalizada. A eleição de um deputado federal, por exemplo, assume proporções escandalosas. Eleger um deputado federal custa 20, 30 milhões (de dinheiro roubado. E daí? emendas criminosas lhes asseguram 300 milhões de reais durante seus mandados. Isso sem contar verbas ministeriais malversadas...

O roteiro pós eleições para o andar de cima já está escrito: será o mesmo do Mensalão, Lava Jato, Master, rachadinhas, emendas roubadas, assalto a orçamentos, contratos superfaturados, prefeituras cooptadas para a roubalheira. A arquitetura do saque é a mesma. Resta apenas saber qual o nome do próximo mega escândalo. Que não vai dar em nada.

Enquanto isso, o país sangra. TCU, CGU, IBPT e auditorias independentes convergem: o desvio direto e o custo indireto drenam entre 3% e 5% do PIB, sangria anual. Algo entre R$ 350 a R$ 550 bilhões. Particularmente, tenho certeza que é muito mais. Para que se tenha a magnitude dessa pilhagem, em três anos, o montante supera, em poder de compra atual, o volume do Plano Marshall que reconstruiu toda a Europa destruída por Hitler!

Trazendo os números da roubalheira e da pilhagem para o “nosso quintal”: se somarmos os orçamentos anuais dos 18 estados do Nordeste, Norte e do Centro Oeste (excluindo Brasília/DF), a soma dos mesmos seria inferior ao desviado pela corrupção no Brasil! Nessas regiões residem 90 milhões de brasileiros... Com a grana roubada de todos os brasileiros esse país poderia alcançar de forma rápida patamares sustentáveis chineses, em torno de 4% a 5% de crescimento anual no mínimo. Mas como a súcia sedenta e voraz sempre quer mais...

A roubalheira vira aviões, iates, laranjas, paraísos fiscais, impunidade sempre reciclada, emprego não gerado, criança sem vaga, fila na saúde que não anda. O Estado foi capturado por quadrilhas de toga, gravata e mandado. E pelo crime organizado. O das drogas, o das máfias diversas e até pelos PCCs da vida!

Enquanto não tratarmos corrupção e o crime organizado como sabotagem econômica, e continuarmos votando em ladrões e demagogos que se alimentam dos nossos recursos continuaremos financiando nossa própria ruína. Até quando aceitaremos ser marionetes de ladrões?

Não pensem que o brasileiro quer isso: a quase totalidade opinam por mudanças nas próximas eleições. Uma pesquisa realizada pela Alfa Inteligência e divulgada em março de 2026 indica que 81% dos brasileiros acreditam que o país precisa de mudanças, enquanto 18% acreditam que deve continuar como está e 1% não soube ou não respondeu.

Acontece que “eles” não deixam. Organizam os partidos de modo a brecar a entrada de gente de bem e escancarar suas portas para o que há de mais nojento da sociedade ávidos em se tornarem “representantes do povo”. São ratazanas aprendizes que irão se alojar sob a proteção das raposas felpudas partidárias. Que, por vez, não passam de reles sabujos a mando dos que mandam de fato neste país.

A ideia de que um grupo restrito — frequentemente citado em torno de 30 a 50 pessoas ou famílias — comanda de fato o Brasil é um tema recorrente em análises sobre concentração de renda, influência política e poder econômico. Podem até ser um pouco mais. Mas o número em si já denota o papel de peão reservado a toda a sociedade brasileira.

Já que hoje é dia de números, vamos a mais alguns: O PIB do Brasil medido em 2025 alcançou R$ 12,7 trilhões. Foi essa a riqueza gerada pelas empresas. Mas também por você leitor. O que o cidadão não sabe é que dessa montanha de dinheiro, o país deve aos bancos 28%, 26% aos fundos de investimentos, mais 20% aos fundos de previdência, 10% ao estrangeiro e o resto está pulverizado entre grandes fortunas.

Por óbvio, quem tem um crédito dessa envergadura, possui uma força política colossal. Está aí, quem manda de fato no país. Não é presidente, congresso, tribunais. Os chefes de partidos políticos (que mais parecem chefes de gangues), os togados dos tribunais superiores e chefes dos executivos são seus mamulengos.

Dito isso, saibamos todos que não vamos eleger o “novo presidente”. São eles que escolhem que vai vencer e ponto. Os partidos escolhem, o capital aprova ou não e aí temos o novo ungido. Que vai manter tudo como “dantes no quartel de Abranches”. Com o seu voto. Por “mudanças” ou não...

Dias atrás no Facebook do meu querido amigo Pedro Cabral – um dos melhores arquitetos da cidade e pensador atilado – visualizei uma publicação dele em que provocava: Onde está a indignação? O diabo comeu!

Faço minha as suas palavras.

Após essa chuva ácida de informações. O que você vai fazer?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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