A terceira via vai rolar ou será mais do mesmo?
O cenário eleitoral de 2026 desenha-se sob o signo da incerteza, com 62% de indecisos indicando que o brasileiro ainda não comprou o “duopólio” de duas candidaturas com alto grau de rejeição. Embora Lula e Flávio Bolsonaro concentrem as atenções, a rejeição de ambos — 55% e 52%, respectivamente — revela um teto de vidro perigoso. Nesse vácuo, a “terceira via” ganha contornos reais com Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ciro Gomes.
O dado mais contundente, no entanto, é que 80% da população anseia por mudança, e essa mudança tem nome: melhoria na qualidade de vida através do desenvolvimento. A sociedade está exausta de um debate que ignora a economia real em nome da ideologia. Enquanto Zema aposta na eficiência administrativa mineira sob fogo cruzado com o STF, e Caiado tenta nacionalizar o sucesso goiano sem parecer um “satélite” bolsonarista, Ciro Gomes foca no projeto estruturante, tentando provar que desenvolvimento não se faz com retórica, mas com produtividade e investimento.
O grande erro das candidaturas em destaque é acreditar que a polarização basta; Lula e Flávio se retroalimentam, mas oferecem pouca ou nenhuma proposta factível para romper o subdesenvolvimento crônico que asfixia o país e a renda das famílias. A ausência de um projeto de nação nas duas candidaturas líderes não é um detalhe, mas o cerne da crise.
O eleitor de 2026 não busca um salvador de costumes, mas um arquiteto de soluções que entenda que a paz social é fruto direto do dinamismo econômico. Sem propostas que ataquem o “Custo Brasil” e a baixa produtividade, continuaremos a exportar talentos e alimentar a inflação, enquanto o debate político se perde em querelas e ataques pessoais.
A viabilidade de uma terceira via reside justamente na capacidade de explicar como o país voltará a crescer de forma sustentável e inclusiva, algo que o populismo atual prefere ignorar. Zema, com seu modelo de gestão privada, Caiado, com a estabilidade do agronegócio, e Ciro, com o Plano Nacional de Desenvolvimento, representam tentativas de furar esse bloqueio, cada um com seus riscos: o mineiro flerta com o radicalismo institucional, o goiano contra o rótulo de “mais do mesmo” da direita, e o cearense enfrenta o isolamento político.
A “forçação de barra” para manter o ringue entre o “filho do golpista” e o presidente que carrega estigmas judiciais é condenar o país a escolher entre dois grupos que se retroalimentam pelo ódio, é sentenciar a nação à paralisia econômica. O Brasil não merece continuar refém de facções. 80% dos brasileiros esperam por um governo que funcione e gere riqueza. Leva a eleição aquele que converter o silêncio dos 80%. O momento é para quem convencer o eleitor que ele encarna a mudança.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



