Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

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A ameaça Marina Candia


A jovem Marina Candia, esposa do ex-prefeito JHC, sempre foi uma das figuras mais populares e bem recebidas nas redes sociais, quase uma unanimidade entre seus seguidores. Bastou, porém, seu nome surgir como candidata competitiva, com chances reais de vitória, para o tratamento começar a mudar. Já tentam carimbá-la como “estrangeira” e certamente irão atrás de episódios, versões e narrativas buscando desgastar sua imagem. É um roteiro antigo da política: enquanto alguém não ameaça espaços de poder, recebe elogios e simpatia; quando passa a representar risco eleitoral, começa a enfrentar ataques e campanhas de desconstrução. Marina parece estar descobrindo cedo esse preço. Na política, sobretudo quando se desafiam grupos tradicionais e estruturas consolidadas, a disputa raramente fica limitada às propostas e aos votos. E aí surge a obrigação de separar fatos comprovados de insinuações ou histórias fabricadas. A eleição pode ser dura, mas não deveria transformar a reputação de ninguém em território sem lei.

Nada a comemorar


A Palmeira dos Índios completou esta semana 137 anos de emancipação política, mas a data encontra poucos motivos para festa. A cidade que durante décadas foi apresentada como “município modelo”, com forte presença econômica, importância social e destacada representação política em Alagoas, hoje convive com um cenário bem diferente.

O tempo, somado a sucessivos equívocos administrativos e eleitorais, cobrou um preço alto. Vieram a estagnação, a perda de protagonismo, o enfraquecimento da educação, as dificuldades na saúde e, de forma especialmente dolorosa, o abandono da cultura, justamente uma das maiores referências históricas de Palmeira dos Índios.

Heloísa Helena no Rio


Brasília poderá ter novamente, pelo voto do Rio de Janeiro, a presença combativa de Heloísa Helena na Câmara dos Deputados. Alagoana de nascimento e de formação política, ela construiu no Rio uma nova base eleitoral e é candidata a deputada federal pela Rede.

Heloísa já voltou temporariamente à Câmara em dezembro de 2025, como suplente, permanecendo no mandato até junho deste ano. Sua trajetória continua marcada pela independência e coerência.

Tinha golpe sim


Ao fim de 2022, brasileiros seguiam normalmente com suas vidas sem saber que em Brasília, em reuniões a portas fechadas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscava convencer os comandantes das Forças Armadas a embarcar em um golpe e reverter a vitória de Lula (PT) nas eleições de outubro. Ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Baptista Júnior conta bastidores desses encontros em seu novo livro, “Eu disse não - Uma trincheira antigolpista”, que será lançado no próximo mês.

O brigadeiro, já na reserva, relata uma série de momentos ao longo da gestão Bolsonaro em que ficou desconfortável diante da tentativa de instrumentalização das Forças Armadas para ganhos políticos. Baptista Júnior afirma que, em um dos encontros após a derrota, o ex-presidente disse a ele: “BJ, eu já te dei dois cartões amarelos".

Nordeste recebe bem Alfredo Gaspar


A escolha do alagoano Alfredo Gaspar para compor como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro começa a produzir repercussão política no Nordeste. A própria estratégia da campanha atribuiu a Gaspar a missão de reforçar os palanques da região, onde o bolsonarismo historicamente encontra maiores dificuldades. Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e deputado federal, Gaspar chega à chapa com forte identificação com a área de segurança pública e com atuação política construída no Nordeste.

Tá faltando grana


Os dias estão correndo e a eleição se aproximando. Com isso, começam também a vencer os prazos dos acordos, aumentar as cobranças e crescer a tensão dentro das coligações.

O problema é que, em alguns grupos, está faltando dinheiro para cumprir compromissos assumidos durante a montagem das alianças.

Quando a grana aperta, a fidelidade política costuma ser colocada à prova. Lideranças começam a reclamar, apoios ficam menos firmes e surgem as chamadas “traições”, quase sempre justificadas por promessas não cumpridas. Na reta final de uma eleição, dinheiro, estrutura e compromisso caminham juntos e quando um deles falha, a aliança pode começar a desmoronar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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