Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

Terrorismo e benesses no TC


Há um clima de revolta dentro do Tribunal de Contas de Alagoas, enquanto servidores efetivos e que realmente sustentam um resto de credibilidade da casa são perseguidos e perdem gratificações, famílias inteiras são beneficiadas com cargos em comissão, confrontando a eficiência e a moralidade pública, necessárias para a administração. Basta ver as portarias publicadas no DO diariamente, onde os sobrenomes Toledo e Amaral abundam. Uma vergonha para o órgão que deveria fiscalizar a aplicação do dinheiro público.

Tô fora


Em plena campanha eleitoral, Lula tem razões políticas para tentar manter distância da grave crise que atinge o Supremo Tribunal Federal com as revelações do caso Banco Master. O presidente do STF, Edson Fachin, já reconheceu publicamente que os fatos exigem encaminhamento institucional e anunciou que serão adotadas as medidas consideradas cabíveis. Para o Planalto, qualquer associação direta com uma crise envolvendo ministros da Corte pode acrescentar um problema delicado a uma campanha que naturalmente preferiria discutir governo, economia e programas sociais. A estratégia aparente é simples: esse incêndio não começou no Palácio do Planalto e Lula certamente não vai querer carregá-lo para o palanque.

Com Lulinha no colo


Lula chegará à eleição pressionado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas à atuação do empresário, enquanto sua defesa nega irregularidades. O presidente afirma que as acusações são “ilações” e diz que a PF deve investigar livremente. Politicamente, o caso tende a acompanhar Lula durante a campanha e deverá ser explorado por adversários.

Cinismo bolsonarista


Na sabatina do JN Flávio Bolsonaro foi confrontado com um uma pergunta. Nela, sustentou que o aquecimento global “não existe”. Tentou calibrar sua aversão à ciência: “Pra mim, o que acontece hoje são exemplos climáticos extremos”. Se os resíduos mentais do bolsonarismo fossem concretos, não haveria esgoto que bastasse. A sabatina de Flávio Bolsonaro foi 100% feita de cinismo.

Preço da democracia


A democracia precisa de jornalistas que não aceitem coleiras, de eleitores que não compartilhem ódio como se fosse notícia, de candidatos que apresentem ideias em vez de fabricar crimes e de uma Justiça Eleitoral que compreenda que, na era da inteligência artificial, algumas horas podem separar uma eleição legítima de uma fraude irreversível.

Mérito da ética


É um fato raro e surpreendente na vida pública brasileira. Aos 48 anos, com uma carreira brilhante pela frente e em meio a uma grave crise de credibilidade das instituições, Bruno Dantas renuncia ao cobiçado cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. A decisão, tomada de forma voluntária, rompe com a lógica predominante de permanência a qualquer custo nos espaços de poder. Num país em que tantos se agarram aos cargos até o último instante, sua atitude chama atenção e merece respeito. Mais do que uma escolha pessoal, trata-se de um gesto que reafirma a importância da ética, da responsabilidade e da coerência na vida pública. É uma decisão incomum e, justamente por isso, carregada de simbolismo e capaz de inspirar uma reflexão sobre o verdadeiro sentido do serviço às instituições.

Medo e raiva


Tem candidato que parece sempre ter algo a esconder da imprensa. Evita jornalistas, recusa entrevistas e foge de perguntas incômodas, embora passe o dia exibindo sua versão dos fatos nas redes sociais. Outros vão além: transformam profissionais e veículos TCU de comunicação em alvos de processos sempre que suas histórias são investigadas ou contrariadas. Quem pretende exercer um cargo público precisa entender que transparência, questionamento e fiscalização fazem parte da democracia. Fugir da imprensa ou tentar intimidá-la não é exatamente um bom cartão de visitas para quem pede o voto do eleitor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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