EDUCAÇÃO
Estudo aponta horário de cochilo associado a menor IMC
Pesquisa com brasileiros e espanhóis identificou relação entre h
Um estudo com participação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) identificou uma associação entre o horário em que as pessoas tiram cochilos durante o dia e o índice de massa corporal (IMC). Segundo a pesquisa, os menores valores de IMC foram observados entre adultos que costumavam cochilar cerca de sete horas e 18 minutos depois de acordar ou uma hora e 15 minutos após o almoço.
A pesquisa analisou 3.550 adultos entre 18 e 65 anos que tinham o hábito de cochilar e não trabalhavam no período noturno. Desse total, 3.054 eram brasileiros e 496, espanhóis.
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Os dados brasileiros foram obtidos por meio da Sonar-Brasil, levantamento que reuniu informações de 5.260 adultos de todas as unidades federativas. No estudo, foram considerados apenas os participantes que relataram o hábito de cochilar em dias de semana e/ou nos finais de semana e que apresentaram informações válidas sobre o horário e a duração das sestas.
A pesquisa foi desenvolvida durante o pós-doutorado de Giovana Longo-Silva na Universidade de Murcia, na Espanha, em 2025, em parceria com pesquisadores da instituição, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e da Ufal. O artigo “Optimal nap timing and body mass index: beyond duration” está disponível no Journal of Translational Medicine.
Horário do cochilo apresentou relação com IMC
Em vez de analisar apenas o horário marcado no relógio, os pesquisadores calcularam o momento do cochilo em relação a acontecimentos da rotina, como o horário em que a pessoa acordava e o horário do almoço. Os maiores valores de IMC foram observados entre participantes que cochilavam mais cedo, aproximadamente três horas depois de acordar e cerca de duas horas antes do almoço.
À medida que o cochilo acontecia mais tarde, os valores de IMC diminuíam até um ponto de inflexão identificado pelos pesquisadores: sete horas e 18 minutos após o despertar. Depois desse momento, a relação entre o horário do cochilo e o IMC deixou de ser estatisticamente significativa.
Quando o horário foi calculado em relação ao almoço, o padrão foi semelhante. Os valores de IMC diminuíram à medida que o cochilo se aproximava do horário da refeição, até chegar ao ponto de uma hora e 15 minutos depois do almoço. A partir daí, a associação deixou de ser significativa.
De acordo com os pesquisadores, esses períodos coincidem aproximadamente com a queda natural do estado de alerta que ocorre no início da tarde e está relacionada ao ritmo circadiano, sistema que organiza processos biológicos do organismo ao longo das 24 horas.
A professora Giovana Longo-Silva ressalta que o resultado não significa que exista um horário capaz de fazer uma pessoa emagrecer.
Duração e regularidade entre semana e fim de semana também foram analisadas
Além do horário, o estudo avaliou quanto tempo os participantes costumavam dormir durante os cochilos. Os menores valores de IMC foram observados entre aqueles que faziam sestas mais curtas. A análise identificou um ponto de inflexão aos 66 minutos. Antes desse ponto, cada minuto adicional de duração do cochilo esteve associado a um aumento de 0,02 kg/m² no IMC.
O artigo também aponta que cochilos próximos ou superiores a 60 minutos já foram associados em pesquisas anteriores a maiores valores de IMC e a outros resultados metabólicos desfavoráveis. Os pesquisadores também analisaram se os participantes mantinham horários e durações semelhantes para os cochilos durante a semana e nos dias de folga.
A pesquisa encontrou associações entre maiores diferenças nos horários das sestas entre dias úteis e finais de semana e valores mais elevados de IMC. Esse fenômeno foi chamado pelos autores de “nap jet lag”, em referência às alterações nos horários de sono entre diferentes dias da semana.
Na amostra total, cerca de metade dos participantes atrasava o horário do cochilo nos finais de semana. Aproximadamente 14% adiantavam a sesta, enquanto cerca de 60% aumentavam a duração do cochilo nos dias de folga.
Para a duração, o menor IMC foi observado quando os cochilos de fim de semana eram cerca de 22,5 minutos mais longos que os realizados durante a semana. Segundo os autores, os resultados indicam que diferenças muito grandes entre os dias podem estar relacionadas a um padrão de sono mais irregular.
Brasil teve cochilos mais cedo que Espanha
Apesar de apresentarem valores semelhantes de IMC e prevalência de excesso de peso, brasileiros e espanhóis apresentaram diferenças nos hábitos de cochilo.
Os brasileiros analisados costumavam cochilar mais cedo. Em relação ao horário de despertar, o cochilo ocorria, em média, cerca de sete horas depois de acordar no Brasil, enquanto na Espanha acontecia aproximadamente oito horas depois.
Os brasileiros também apresentaram cochilos mais longos nos finais de semana e maior diferença entre os horários das sestas realizadas durante a semana e nos dias de folga.
Mesmo com essas diferenças culturais e comportamentais, os pesquisadores não identificaram uma interação significativa entre país e as associações entre cochilos e IMC. Por isso, os dados das duas populações foram analisados conjuntamente.
Estudo não prova causa e efeito
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o estudo não permite afirmar que o horário ou a duração do cochilo provoquem alterações no peso corporal.
O trabalho tem delineamento transversal, ou seja, analisa informações de um determinado momento e identifica associações entre as características avaliadas. Além disso, parte dos dados foi obtida por autorrelato. No caso dos brasileiros, peso e altura também foram informados pelos próprios participantes, enquanto os dados dos espanhóis foram obtidos por medições realizadas por profissionais.
Por isso, os autores afirmam que são necessários estudos longitudinais e de intervenção para determinar se mudanças intencionais no horário dos cochilos podem produzir efeitos sobre a saúde metabólica.



